Wednesday, October 18, 2006
Monday, October 16, 2006
Wednesday, October 11, 2006
Gaveta dos Sonhos
Guardo nelas minhas fofuras, minhas loucuras, minhas sandices.
Dentro dela, nada de mesmice.
Ela tem cor verde desbotada, mais parece mofo.
Não conte a ninguém, mas guardo pessoas dentro dela.
Algumas estão mortas, putrefação pura.
Algumas vivem como se fossem dentro de caixões fechados e abandonados.
Vão morrer também.
Não conte a ninguém que eu sou uma assassina.
Não conte a ninguém o meu esmero com as coisas que guardo na gaveta.
É que depois de guardadas, elas não têm mais valia nenhuma.
Viram fantasia, ida. Viram coisa do passado.
A minha gaveta é tão triste, eu a tranco e não deixo ninguém ver.
Nela, coisas sórdidas, eróticas, familiares, românticas e planos de futuro.
É a gaveta da verdade que poderia ter realmente sido verdadeira, mas não foi.
Gaveta escondida.
Eu não quero levar mais nada nem ninguém pra gaveta.
Não, não me obrigue a guardar mais coisas na gaveta.
É triste ter que guardar coisas importantes na gaveta dos sonhos irrealizáveis.
Muito triste.
Saturday, September 16, 2006
O meu amor - Parte I - poema eternamente inacabado
O meu amor tem um andar que transpassa qualquer espaço entre nós.
Ele tem um olhar de cantiga infantil.
Tem um sono leve e um peito grave e desnudo sob a minha face.
O beijo do meu amor é de beijar o meu beijo, e não a minha boca.
Mas quando me beija a boca, que louca eu fico, gemendo rouca.
Meu amor possui dedos de detalhes, que não podem ser estalados por motivos lindos.
Ele tem mania de causar-me alegria (sem saber do vício que é para mim um dom).
É dono de um calor bemol, de um riso sustenido, de uma harmonia estrondosamente silenciante.
Ele tem o gosto indizível da saudade. Chega e parte, mesmo assim, fica. Ao invés de passar, pacifica.
A pose dele é juvenil, e ter uma filha faz parte, se não dos seus planos, dos seus sonhos, que se confundem com os meus.
O meu amor é tão meu AMOR, que tenho medo de possuí-lo e chamá-lo de pronome possessivo da primeira pessoa do singular.
(Não o possuo para mim, sim para ele. Sendo ele o que ele quer, torna-ne o que mais espero dele).
Ele é tanta coisa que ainda não sei, será tanta coisa que jamais foi, e foi tanta coisa que nem sei existir, e não me incomodo com isso.
Guardo comigo também minhas mudanças, efeito da grande busca por algo que ainda não sei o quê.
Ele não é perfeito. E como eu o amo ainda mais por isso.
Quando ele me beija com a boca de cigarro, sei que sou capaz de tanto para sentir a paz de ser dele.
Toca-me como ninguém:
eu-teclado, eu-bateria, eu-mulher.
Ele causa-me sonhos.
Devaneios
Distrações.
Calça meus sonhos com sapatos sem tamanho, pois meus sonhos são além.
Repito então, para terminar a primeira parte, o mantra:
Amoooo
Amoooo
Amoooo
to be continued (one day)