Tuesday, October 24, 2006

 B     o    m           d     i     a
 
 
Bom dia, dia! Como está?
Acordei com a esperança no meu olhar.
Abri os meus olhos,
pus-me a cantar.
Cessei a tristeza
do meu andar.
 
Dia! Dia! Tenho um segredo pra contar
pra você:
eu era a lagarta que rastejava
a procura de não sei o quê.
Veio a inércia e a escuridão,
fiquei envolvida- nenhuma ação.
Agora rompo a casca com fervor
(o casulo caiu no chão)
e eu dei meu primeiro vôo descordenado
-um vôo na amplidão.
Dia, meu querido dia
meu andar não é mais triste
e meu voar é tão belo,
pois hoje vejo do alto e distantes
as pequenas coisas bobas que eu temia.
Dia, meu amigo dia
ilumina o meu caminho aéreo.
Aumenta o teu som
estéreo
que eu danço tua luz no ar.
Dia, obrigada por aparecer
-como pude duvidar que viria?
 
Perdoa as antigas dúvidas da lagarta rastejante.
 
Dia, dia, eu me vôo
pois há muito mais poesia em voar
do que em escrever.
 
 

Posted by ||Nat at 19:47:11 | Permalink | Comments (5)

Prata velha a Deus

Ah, quem disse?
Quem foi que me disse que eu teria que ficar
zanzeando de lá para cá,  de cá para lá
tocando a tudo e tentando viver todos
e todas as possibilidades?
Quem, quem me disse isso, que eu não dei a importância na hora
mas depois me veio a ânsia de seguir o conselho - quem foi o pentelho?
Quem disse que a minha rota não teria meta?
Disse também que a minha seta é louca e sempre muda de direção.
Quem disse, disse destruição. Sandice pura tomada por mim, em ação.
Quem foi que disse que um dia eu amaria um, sofreria, tentaria amar outro, não conseguiria,
gostaria de outro e não daria certo para que eu aprendesse que amo mesmo é o segundo dentre eles.
Quem foi que escreveu a minha história? Porque eu estou histérica, não quero saber o final.
Só quero saber se me dou bem ou me dou mal. Só isso.
Saber se meu coração vai aprender a ser estável,
saber se minha arte me acompanhará por todos os meus dias,
se meus filhos me darão a mão e passearão comigo no parque aos domingos.
Saber se nos dias de chuva eu e o meu amor vamos ficar debaixo das cobertas
fazendo amor, gozando, lambendo um ao outro como se fôssemos sorvete de morango
e depois, fatigados, dizer um ao outro o quanto nos amamos e queremos passar toda a vida
juntos.
unidos.
Eu quero a certeza do coração que pertence a um só, e a certeza da reciprocidade.
É tão difícil assim?
Não, não é, mas eu faço ser.
Então me diga quem escreveu a minha história, porque eu vou ter uma conversinha séria com o
senhor do meu destino.
Porque as pessoas que eu encontro pelo meu caminho são tesouros, e eu as troco por prata velha.
Por que eu sou assim? Gosto de prata velha?
Gosto do gosto velho na boca?
Cabeça ôca!
Eu quero agora é objetivo e uma estrada reta pra seguir, porque já cansei de pegar atalhos de atalhos de atalhos.
E cansei dessa estrada espiralada.
Eu quero uma estrada reta.
Estou dando adeus, estou dando a Deus (toma Deus, leva contigo!), todas as possibilidades que me foram inúteis.
Estou doando, porque quero uma estrada certa.
Adeus todos os erros, porque eu quero
uma
estrada
certa.
Posted by ||Nat at 02:34:03 | Permalink | Comments (2)

Tuesday, October 17, 2006

Eletrik

 

Você quer um choque meu?

Você quer um toque meu? 

Toque toque toquerendo dar choque

Tô que tô que toquerendo dar choque

Achoque achoque choque é bom

dependendo do choque faz xókxók

Queixo queixo bate-queixo choque toque

tô chocada!

toque, corre, toc toc

abre e toque, xókxók, xók choque!

Não se choque, que meu toque dá choque!

Posted by ||Nat at 21:59:34 | Permalink | Comments (1) »

Friday, October 13, 2006

Eu

Sujeito indeterminado.

Artigo indefinido

Objeto direto e indireto.

Verbo intransitivo.

Locução adverbial de atemporalidade.

Regência. Coesão.

Narcisiologia reflexiva, de novo.

Vocativo.

Aposto.

Aposto contigo que você ainda não sabe quem eu sou!

Sujeito oculto? Será que oração sem sujeito?

Mas como falar com Deus se não há sujeito pra falar?

Aí é que se fala mais com ele.

No ego. Yes eco.

Sexo, sexo, sexo.

Sexo pulsando e prazer.

Sexo sem sexo. Assexuado por um tempo.

Sexo com sede de sexo.

Ai que vontade(s).

Sujeitinha mais indeterminante!

Posted by ||Nat at 00:08:57 | Permalink | Comments (4)

Wednesday, October 4, 2006

Drawn, Gu(R)ia

Desenha uma borboleta nas minhas costas, mulher? Eu te acho linda e cheia de personalidade, o teu desenho de borboleta deve ser bonito.

Será que a tua borboleta é delicada quando tem as asas abertas?

Será que se ela pousar sobre minha flor, meu pólen será levado a outros lugares?

Eu não sei desenhar borboletas… Mas a feminilidade delas me atraem. Pergunto-me então:

- Como é o bater de suas asas?

- Quão alto é o seu vôo?

Desenha uma borboleta no meu seio esquerdo, em cima do meu coração. Deixe-me acariciar a tua borboleta desenhada? Meus dedos são delicados e frágeis, prometo não machucá-la.

Eu geralmente tenho nojo de insetos, mas a tua borboleta de alguma maneira me fascina. Deixe que ela pouse sobre meus lábios, deixe que ela sugue o néctar que a ofereço.

Eu não quero prendê-la, nem espetá-la num mural. Deixe-me aprender com você a coragem do vôo livre da borboleta?…

Posted by ||Nat at 16:48:11 | Permalink | Comments (3)

Thursday, September 28, 2006

Arte

Eu não des

a

credito

gosto

acre do que

não foi dito

Arcredito.

Posted by ||Nat at 16:00:22 | Permalink | Comments (4)

Tuesday, September 26, 2006

Valente

Valham-me as palavras
os momentos
os sorrisos.
Valham-me as lágrimas
os impasses
improvisos.
Valha-me toda a dor
e toda a alegria.
Valha-me o bom humor
e a antipatia.
Valham-me as minhas poesias antigas
e infantis,
os meus amores antigos
e infiéis,
os meus amigos trágicos
e inseparáveis.
Valha-me toda e qualquer pessoa
que colocar na minha frente um
espelho.
 
- Valha-me muito mais isto que um
conselho.
 
Valha-me muito mais isto que um carinho inútil,
mas valham-me também os carinhos
úteis e de bom grado,
os caminhos lado a lado
de mãos dadas e conversas
inacabadas.
Que haja valia em toda essa
correria diária
que insatisfaz.
 
Que haja paz.
 
Que haja confete no carnaval
e lembranças .
 
 
Haja, por Deus, um filho a dar a mão,
um avô de bigodes,
uma avó de óculos,
um tio meio doido.
 
Valham-me todos os meus sonhos
porque acredito neles.
-em que mais posso crer?
 
Valha-me a minha arte
a minha inércia,
o meu vento, que me sopra onde quer.
Valha-me eu ser da vida, e ela, minha.
E se nada ainda me valer,
 
que haja um filho para me dar a mão.
Posted by ||Nat at 17:10:52 | Permalink | Comments (2)

Friday, July 21, 2006

Mística confusão

As mulheres são seres dignos de estudo, principalmente a paixão das mulheres! Ah, isso é assunto para Monografia ou Trabalho de Conclusão de Curso na faculdade, quem sabe até um pê-agá-dê!

Eu queria vir com um manual de instruções, pra dizer exatamente como (re)agir a certos sentimentos (ou sensações?) que essa vida me proporciona.

O coração? Ô coisinha difícil de entender!

Como pode-se querer alguém de quem nem se conhece o cheiro, o timbre da voz,  alguém cujos olhos nunca mirei, alguém que nem sei se merece esse querer que vem de repente e mexe com a alma…?

Será que é ansiedade para encontrar a minha metade que vaga por aí, no universo? Então eu queria ser menos ansiosa, porque isso me atrapalha às vezes (ou quase sempre?)

 Pela primeira vez posto eu, a Natacha, e não um eu-lírico qualquer.

Eu me apresento aqui. Tenho essas dúvidas. Tenho esses medos. Sou humana. Não sou sempre poesia. Às vezes sou prosa. Às vezes nem quero prosa.

 Queria subjetivar e sublimar tudo isso, mas não estou afim de pensar, não.

Essa sou eu.

AAAi quantos eus existem em mim!!!

PS -AGORA QUEM FALA AQUI É A POESIA

E COMO EU SOU ÀS VEZES UMA FINGIDORA

DIGO:

QUEM ESCREVEU AS LINHAS ACIMA NÃO FOI A NATACHA, FUI EU!

 E NÃO QUERO SER LIDA

POR FAVOR SAIA DAQUI, NESTE MOMENTO!

Gente!!! Não ligue para o que essa louca diz, quem escreveu tudo fui eu, a NAT!

SAI DAÍ MENINA! NINGUÉM TE CHAMOU AQUI!!!

Aaai, quantos eus!!!!!  Ainda me perco!

Posted by ||Nat at 20:48:59 | Permalink | Comments (2)

Ensaiando aprendizado

Ai como tenho a aprender!

Ter como solução a liberdade

Entendendo a construção do saber

Realizando a individualidade

Acreditando, mas na crença não me ater. 

Sou criança perante a eternidade,

Minha estrada, sigo certa, sem querer,

como um rumo que a vida me oferta, 

como o vento que me sopra onde quer…

Ai como eu tenho a aprender!

Paixão talvez seja prisão

Sinceramente isso eu quero transcender!

Sou pequena, tenho força, tenho fé

A sincronicidade me ajuda a enxergar

os efeitos cujas causas sou autora (ou atriz?),

Os tormentos que eu tenho de viver .

Ai como eu quero aprender!

Ai como eu quero aprender! 

Posted by ||Nat at 18:54:03 | Permalink | No Comments »

Saturday, July 15, 2006

As idéias fogem

Fogem as ruas sob meus passos

Fogem as estrelas dos meus olhares

De medo e do medo, fogem…

Ah que vida fugidia, essa vaga, essa vadia

Irradiando carne viva, inovando.

Dia a dia

Foge

Foge

Fogo

Fode 

Por que me fogem as palavras?

Dislexia?

Imaginologia?

 Narcisiologia reflexiva.

Fuja! 

Posted by ||Nat at 20:49:39 | Permalink | Comments (1) »