Esses meus versos! São eles os cúmplices das minhas loucuras todas, minha amiga.
São eles, os versos, somente eles e você, que fazem companhia aos meus poemas de amor, e aos meus calores, e rumores, e dúvidas, e dádivas, às minhas estrias no coração.
Amiga, dói amar, não dói? E dói saber-se culpada por tudo. C-U-L-P-A-D-A !
Ah, quanta culpa me faz prisioneira na penitenciária dos meus pensamentos. O pior é que eu não tenho boas maneiras que poderiam amenizar o tempo da minha pena. Meu comportamento é péssimo, e por mais que eu saiba que eu mereço essas grades e essas algemas que prendem os pulsos dos meus sentimentos, insisto em querer apressar a minha vítima, que também é meu juiz, no meu julgamento.
É justo, amiga minha, a vítima ser meu juiz?
Eu não acho muito justo, mas quem sou eu pra falar de justiça?
Adianta eu pedir perdão? Eu queria pagar penitências de amor àquele que prejudiquei, para acabar logo com essas confusões, mas o juiz afastou-o de mim. E o juiz é ele mesmo a vítima.
Eu preciso de um advogado que seja a favor não da segunda chance, mas da milésima chance a uma pecadora criminosa.
Já estou disposta a prestar serviços a minha vítima: com beijos, palavras, poesias de presente, muita doçira e delicadeza de gestos, com amor e uma pitada de cama e apertos, saculejos e sacanagenzinhas também, porque eu adro apertá-lo entre minhas coxas e friccionar meu sexo nele e ver-lhe a carinha de homem que gosta de umas safadezas de amor, até que eu goze ouvindo sua voz de homem, falando rouco e baixo e louco no meu ouvido:
Goza, Ná! Goza, Ná...
Ah... essa penitência não é um castigo, mas a falta dela, sim!
Eu quero um advogado, amiga! Um que já tenha feito sofrer e depois sofrido por amor!
Você conhece alguém?