Monday, September 14, 2009

Trote

Há um triste silêncio
Na selvageria aprisionada do cavalo
E na natureza exilada do homem
Há um triste cansaço
Que nunca descansará

Um homem e seu cavalo
Acompanhados um pelo outro
Separados de si mesmos
E entre si

Há um eterno sacrifício
Na selvageria aprisionada do cavalo
E na natureza exilada do homem
Há uma grande liberdade
Que nunca acontecerá

Um homem e seu cavalo
Ambos presos por rédeas curtas
- O cavalo pelo homem
- O homem pela vida

Há redenção demais
Na selvageria aprisionada do cavalo
E na natureza exilada do homem
Há uma similaridade que nunca se reparará

Um homem e seu cavalo
Ambos chegando a um mesmo destino
Sem desconfiarem disto jamais
Posted by ||Nat at 16:20:42 | Permalink | Comments (1) »

Saturday, September 12, 2009

cronossomos

o tempo

te tem nas mãos

e você acha

que o seu [im]pulso firme

pode carregar o [i]relógico

você acha

que dita as ordens de cronos

mas tá nos nossos

cronossosmos

dar corda

pro achismo

você acha que acerta

os ponteiros

mas de repente

eles te acertam

[irredutíveis]

são cinco horas

e por mais que queira

congelar os minutos

ou girar anti-horário

não adianta

já é preciso

ir embora

Posted by ||Nat at 01:04:58 | Permalink | No Comments »

por quanto tempo somos capazes de viver o presente?

o passado tem lá suas peripécias pra não ser deixado de lado o presente tem lá suas manias de ofuscar a vista da gente o futuro tem lá suas perguntas pra deixar a gente inseguro o passado tem lá suas peripécias pra não ser deixado de lado o passado tem lá suas peripécias pra não ser deixado de lado o futuro tem lá suas perguntas pra deixar a gente inseguro o futuro tem lá suas perguntas pra deixar a gente inseguro o futuro tem lá suas perguntas pra deixar a gente inseguro o presente tem lá suas manias de ofuscar a vista da gente o passado tem lá suas peripécias pra não ser deixado de lado o futuro tem lá suas perguntas pra deixar a gente inseguro o futuro tem lá suas perguntas pra deixar a gente inseguro o futuro tem lá suas perguntas pra deixar a gente inseguro o presente tem lá suas manias de ofuscar a vista da gente (…)

Posted by ||Nat at 00:48:07 | Permalink | No Comments »

Maiakoviskiniana

“O coração tem domicílio no peito.
Comigo a anatomia ficou louca.
Sou todo coração.”

Vladimir Maiakóviski


é com o músculo do coração que amo

músculo não pensa

o músculo do coração agora move também

minhas mãos e todas as articulações do meu corpo

manda nos meus olhos, no meu sexo

e no meu estômago que esfria repentinamente

cada vez que te penso

dia após dia

vou me transformando mais e mais

em pulsação

e vermelho e vermelho e vermelho

da cor da tua boca

da cor da placa pare

da cor de tudo o que sangra

é do teu sangue ve[ne]noso

que preciso urgentemente

e ele, sei que também ele

precisa de mim

de que serve um coração sem sangue

e o sangue sem um coração?

Posted by ||Nat at 00:23:33 | Permalink | No Comments »

CORPORAL

te amo com todos meus músculos
com meus glóbulos vermelhos
com minhas órbitas doloridas
e com as dúvidas que são pedras na minha cabeça
mas não no meu coração
te amo com o peito cheio
e com as mãos vazias
-o que trago e te ofereço é meu amor
meu cansaço e minhas pernas
que apesar de tudo ainda desejam caminhar
te amo com todo meu tecido adiposo
com meus poucos cílios
e minha boca salivante
com os nervos te amo
com os tendões
as unhas, dentes e estômago
te amo com o enjoo da vida
sempre presente
com a náusea da existência
te amo e amo como respiro:
assim, sem esforço algum
te amo incerteza, silêncio e pintas
molecagens, riso inconfundível e fala
te amo corpo inteiro
pêlos e tatuagem
nu te amo ainda mais
despido, dormindo, vulnerável
te amo olhos fechados
e boca aberta
e por amar assim
pouco calma, muito corpo,
alma toda
e não só por amar assim
mas por ter vivido
antes e depois e estar agora
te e me aprendendo
não sei como terminar um poema de amor
só sei fazer amor
com este meu corpo
que é pouco
e talvez não mereça o teu

Posted by ||Nat at 00:20:19 | Permalink | Comments (1) »

voltas

quero sempre

o que nunca está

no que está

se me dão o centro

quero a borda

se me oferecem o chão

escolho voar

vejo mais nitidamente

quando fecho os olhos

e faço laços

com as voltas que

o mundo dá

Posted by ||Nat at 00:14:56 | Permalink | No Comments »