dois sonhos, duas medidas
uma mesma palavra pode ter dois pesos? a resposta é sim, pelo menos espero que seja. a palavra <<sonho>>, por exemplo. quando uma música tem gosto de sonho, o significado da palavra <<sonho>> é abstrato. quando a palavra <<sonho >> sounds like nothing else, o significado é tão tangível quanto um amor. imaturo, mas ainda assim, um amor.
essa palavra que assusta e que parece ter um só peso: amor. mas não tem. não. eu sei que não. pesa de acordo com o coração daquele que o sente, e além. pesa como o som. quanto menos se fala, mais pesa. quanto mais se fala, sei lá. parece não ter peso algum. o amor ganha leveza. ganha em culto, perde em oculto.
é tão bonito isso, de as palavras existirem e serem iguais. é bonito saber que um ser humano é que dá a elas vida: assim me sinto mais solta. menos presa a elas: palavras não são nada sem o ser humano, que serve para transgredi-la quando revela algo, escondendo outra coisa.
oh! é isso o que amo nas palavras. o poder que elas dão ao ser humano de falar escondendo. de esconder falando. as palavras <<sua>> e <<existência>> cabem perfeitamente no eixo sintagmático dos meus períodos. e podem ser trocadas, paradigmaticamente, por <<sonho>> ou <<amor>>. todas elas têm o mesmo peso. o exato. o de sempre.
te perdoo por ser tão humano e dar peso às palavras. te gosto por ser tão humano e dar peso às palavras. te quero bater por isso. te quero acariciar por isso. e quero dizer que ver isso em você me faz enxergar o mesmo em mim. sendo assim, preferiria ficar calada a te dizer tudo isso: não tenho o direito. sou imensamente igual: uso as palavras, dou peso a elas, e ninguém mais sabe disso. do peso das minhas palavras. das minhas mentiras doidas que invento pra viver, só pra isso, pra viver.
eu preferiria ficar calada, mas sabe, né? as palavras pesam tanto que as sinto no estômago. preciso me livrar delas, e aqui estão. eu ia tomar o peso que você deu à palavra <<sonho>> como um beliscão. e ia tentar acordar. mas não.
sempre li[n]da… sempre.