Thursday, February 19, 2009

ferida

Posted by ||Nat at 21:14:15 | Permalink | Comments (2)

pudor

Posted by ||Nat at 20:38:40 | Permalink | Comments (2)

inteira para o futuro

espero como se fosse fácil. no fim das coisas, é mesmo fácil esperar. os dias amortecem, e a espera acontece sem que possa ser chamada de espera. é como ter 16 anos querendo logo ter 18. no fundo, eu sei que não poderei fazer o tempo passar mais depressa. tem dias que te esqueço, inesquecível. mas não é de um ter esquecido completamente, é de um  ter escolhido a vida leve para não envelhecer rápido  demais, para não estar com a alma enrugada  quando o futuro resolver  acontecer. com os pés fincados no chão e o nó da alma mais frouxo, vou vivendo. vou vivendo alegrezinha, peste, decadente e mais bagunceira do que nunca. sabendo muito bem que não tenho sido o meu melhor. sabendo que talvez você possa desistir. os meus pés estão sim, fincados em um presente, fincados em um chão, mas esse mesmo chão é feito de nuvens. então caminho sabendo da volatilidade daquilo que tem me sustentado: qualquer hora posso cair no abismo que sou eu. e cair no abismo que sou eu significa muito mais do que uma queda: é uma ascensão ao topo de meus sonhos. sonho igual a futuro. sonho mais futuro igual a filha. passado mais presente igual a hoje. um mais um nem sempre igual a dois. você tem o direito de desistir. eu tenho o direito de tentar. por isso espero: não estou pronta. e quando eu estiver? o futuro estará preparado para mim? quero uma vida que não esteja gasta nem pelo tempo, nem pelas superfícies, nem por nada que não seja essencial. quero uma vida mansa e inquieta, quero estar preparada para tudo isso. estarei preparada? eu, que esperei apenas 8 meses para nascer, que desde sempre estou acostumada a ser um total despreparo. será que um dia estarei preparada? acho que sim. o despreparo não me impede de avançar, então avanço, avanço, cega como uma criança feliz. pressinto o futuro, às vezes me acho mais perto – é quando pareço estar bem perto de mim mesma. naqueles dias em que acordo sem medo de ser inteira.  e só quando eu for suficientemente adulta para me ser inteira, sem meias verdades, nua e crua - eu mesma – estarei preparada para a imensidão do amanhã. “não quero nada pela metade”. não me quero pela metade e não quero o meu futuro pela metade. futuro, estarei inteira quando você vier. prometo.

[ouvindo trentemöller - miss you]

Posted by ||Nat at 19:09:48 | Permalink | Comments (4)

ônibus

inquieta
travo a luta
me procuro
não me acho
olho dentro
não me curo
olho fora
não me encaixo

meio às tontas
me esqueço
e por esquecer
me aconteço

volto à vida
encaro o dilema
dou um grito
-no engano, há saída
-no estalo, a solução

perdida
estou no poema
que seria escrito
se eu tivesse
caneta à mão

Posted by ||Nat at 13:27:29 | Permalink | Comments (3)

Monday, February 16, 2009

 

 

me faça

perder as estribeiras

me amassa

me encaixa

me deixa

sem eira

nem beira

 

me come

pelas beiradas

ou então some

sem deixar

pegadas

Posted by ||Nat at 20:13:07 | Permalink | No Comments »

Friday, February 13, 2009

visão semiótica sobre a vida

.

[antes de nascer, pretexto
enquanto se é, discurso
e só ao morrer, texto]

.

Posted by ||Nat at 20:38:59 | Permalink | Comments (4)

In - consciência

Escrever não tem porquês nem para quês
Não é pra ganhar um amor
Não é pra chorar uma dor
Não é pra treinar o português

Escrever não tem sentido, nem razão
Não é pra explicar o mundo
Não é pra pensar mais fundo
Não é pra descrever o coração

Não tem ingenuidade nem malícia
Não é para esconder rubores
Não é para falar de flores
Não é pra exercitar a falácia

Escrever não é lógica nem fé
E quando acha que descobre o que é escrever
É quando menos sabe o que é

Posted by ||Nat at 20:32:25 | Permalink | Comments (2)

Wednesday, February 11, 2009

acid treep

- por que todas as árvores parecem sempre dizer adeus?

-porque elas são antigas, quase eternas.

-mas quando o tempo está parado, elas desistem de acenar.

-esse é o momento mais perigoso.

Posted by ||Nat at 20:33:18 | Permalink | No Comments »

Monday, February 9, 2009

Quero não dizer nada

Ser levada

Pela língua

A uma terra inabitada

 

Onde o vazio

Impera,

Indescritível

 

Onde o tudo

Reina

Indissolúvel

 

Onde o nada

Existe

Interminável

 

Onde a verdade

Resiste

Impenetrável

 

Onde o agora

É sempre

Eternizável

 

Mas sou um ser

E por sê-lo assim,

sem trégua, imaturo

 

Os caminhos

Por onde a língua

me [e]leva

São sem fim

 

E quase sempre

Obscuros

 

Posted by ||Nat at 16:29:45 | Permalink | Comments (3)

palavra I – a redenção

 

a palavra é o grito que representa uma coisa que é muda e que jamais pode ou poderá ser representada, a coisa: esse é o maior sofrimento do poeta: dar som àquilo que nunca deixará de ser silêncio. poeta é o que trabalha com a matéria do impossível. poeta é aquele que veste o que nunca deixará de estar nu. o poeta é a própria nudez em forma de carne. sua palavra é suor e soa alto. palavra é o tronco que ecoa oco, mas que esconde e mostra seu cerne.

 

todas as palavras já foram ditas.

 

 

palavra II – a revolta

 

todas as palavras - essas malditas – já foram inventadas e já estão ditas. quando nasci, não sabia falar. quando soube, não pude escolher a palavra chichume para designar uma coisa que é uma panela. não pude escolher a palavra crelho para designar uma coisa que é casa. não pude escolher a palavra zomburo para designar aquilo que conhecemos como loucura!

 

e tem gente que ainda acredita em liberdade. tolos.

Posted by ||Nat at 16:23:14 | Permalink | Comments (1) »