:
escolho as palavras
como quem anda
a passos pisados
no chão: distraída.
poesia é chão
e o espaço
do passo
é a palavra.
escolho o próximo passo andando.
andando, escolho a próxima palavra.
poesia não é destino,
destino é coisa.
coisa nunca se dirá:
o que é coisa
é coisa, ué!
o pé,
-impensante pé-
nunca chegará
a compreender
a coisa indomável:
o destino
o inominável.
eu nunca chegarei
a compreender
as forças do que digo.
como quem caminha
escolho as palavras
lenta e leve.
calma e breve
escolho a palavra
flexionando-as
como flexiono os joelhos.
escolho as palavras
como quem corre
sem pensar sobre o chão que pisa.
sem pensar,
sobre o chão de piso
escolho a palavra
como quem cai e morre
no instante preciso.
no instante preciso
da aloucada e rápida palavra
onde tropeço, onde me sustento
onde desatenta me contento.
ando inconsciente
como escolho a palavra:
macaca-pulseira-mulher
óvulo-caneta-flor
ou como outra palavra qualquer:
amor.
escolho a palavra
como quem sobe uma escada
e se faço doze versos
enfrento
a escadapoesia
de doze degraus.
invento a palavra
ou ela me inventa?
escolho a palavra
como quem venta:
diante dela
não sou sujeito
-só sujeita.
eu escolho a palavra
ou sou por ela escolhida?
escolha
ou jugo
esse jogo de palavras?
sento, me encolho,
não julgo nada.
me calo
para não me sentir
subjugada
.
escolho as palavras
como quem anda
a passos pisados
no chão: distraída.
poesia é chão
e o espaço
do passo
é a palavra.
escolho o próximo passo andando.
andando, escolho a próxima palavra.
poesia não é destino,
destino é coisa.
coisa nunca se dirá:
o que é coisa
é coisa, ué!
o pé,
-impensante pé-
nunca chegará
a compreender
a coisa indomável:
o destino
o inominável.
eu nunca chegarei
a compreender
as forças do que digo.
como quem caminha
escolho as palavras
lenta e leve.
calma e breve
escolho a palavra
flexionando-as
como flexiono os joelhos.
escolho as palavras
como quem corre
sem pensar sobre o chão que pisa.
sem pensar,
sobre o chão de piso
escolho a palavra
como quem cai e morre
no instante preciso.
no instante preciso
da aloucada e rápida palavra
onde tropeço, onde me sustento
onde desatenta me contento.
ando inconsciente
como escolho a palavra:
macaca-pulseira-mulher
óvulo-caneta-flor
ou como outra palavra qualquer:
amor.
escolho a palavra
como quem sobe uma escada
e se faço doze versos
enfrento
a escadapoesia
de doze degraus.
invento a palavra
ou ela me inventa?
escolho a palavra
como quem venta:
diante dela
não sou sujeito
-só sujeita.
eu escolho a palavra
ou sou por ela escolhida?
escolha
ou jugo
esse jogo de palavras?
sento, me encolho,
não julgo nada.
me calo
para não me sentir
subjugada
.

