Friday, December 19, 2008

So(ul)m

Por um dia queria saber alguma coisa sobre música. Assim, poderia dizer tudo o que eu tenho a dizer, e continuar com total impessoalidade. É que com as palavras, as pessoas entendem demais. E sentem de menos.
 
É que elegeram as palavras como principal forma de comunicação. Então: escrever é pôr aos olhos da massa. Poderiam ter escolhido as imagens. Poderiam ter escolhido os gestos.Poderiam ter escolhido qualquer coisa. Ainda bem que escolheram as palavras. Acho que seria bem pior se a música fosse banalizada e tornada simplória como fizeram(mos) com o verbo.
 
E você? Ouviu o que eu não disse? Leia nas entrelinhas o som daquilo que eu nunca te digo.

 
 

Posted by ||Nat at 20:13:16 | Permalink | No Comments »

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Escrever não tem um fim em si mesmo: é apenas um meio. O segredo está em não tentar descobrir qual é o fim desse meio. Porque, quando se descobre, é o fim.

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Posted by ||Nat at 12:14:42 | Permalink | No Comments »

Tuesday, December 16, 2008

Homônimo


 
Nenhum poema
Merece respeito
Todos são trouxas
Feito nas coxas
Todos são leigos
 
Nenhum poema
Nasce direito
-Cortam a alma
Rasgam a calma
Mostram defeitos
 
Nenhum poema
Fala baixo
Grita pouco
Revela o intento
 
Mas quando o poema
Endoidece a face
Desfaz o disfarce
Insulta o certo
Alça vôo e se lança
 
Tudo de oculto
em mim
Se alcança
 
Poema inspirado em O Poema, de Eduardo Campos Mendonça, Mata o Gato e Esfola a Onça, Dá um Tapa na Pantera e Ainda Pega umas Gatinhas.
 
Confira O Poema aqui: http://sempreemduvida.blogspot.com/2008/11/o-poema.html
Posted by ||Nat at 18:56:35 | Permalink | Comments (3)

# / @

Se vim
Do pó
Não sei
 
Mas pelo pó
Não morrerei
 
[Nem sempre]
Morderei o comprimido
Pra deixar o peito
Menos abatido
 
[Nem sempre]
Me livrarei
do perigo
 
[Nem sempre]
Me encontrarei
Com o inimigo
 
[Às vezes]
Terei na boca
Um gosto
De coisa louca
Um papel amargo
 
[por 12 horas
não viverei
 o fardo
não estarei farta
de tempo
não dormirei
a contento
não contarei
com meu centro
e viverei
bem por dentro]
 
[Talvez]
Por fim
No dia seguinte
Eu veja
Menos viva:
Dois e dois
São vinte
E quatro horas
Em deprê
 
Droga
A vida
Tão
Démodé
Posted by ||Nat at 18:26:33 | Permalink | Comments (1) »

Backspace


diante da tela em branco paro e espero: quero escrever não sei o quê. esse não sei o quê é todo o entalado que me entope e me entorpece, a minha falta de tato e trato comigo. paro mais um pouco. aguardo com impaciência. queria que fosse tão fácil dizer o ?, dizer o !, dizer o …, dizer o quanto é fácil colocar o dedo na garganta e acabar com a ânsia. sim, é o que eu quero: acabar com a ânsia. paro um tanto e ainda mais. não, não é por vaidade. é mesmo para que eu me cure. depois do ponto sempre paro. depois de um certo ponto, tudo na vida vai virando um emaranhado como um nó nos cabelos quando expostos à janela do carro que anda com os vidros totalmente abertos, a 120 km/h: um embaraço. o mesmo dedo que acaba com a ânsia e desembaraça os cabelos não serve para nada, e no momento, nem mesmo para escrever. tá vendo? tudo isso é superfície, é textura. os dedos digitam vagarosamente, backspace, a, m, o, r, del, del, del, del. os dedos vão e voltam, escrevem e descrevem, mas mais ainda: desescrevem. queria que fosse mais que textura, queria uma intimidade, queria entender não a superestrutura, queria compreender o fio. você vê o fio? o fio do texto, da meada, desconectado [estou offline]. por um ímpeto senti que acabou o texto. mas é que eu ainda não disse, mas por esse chão em que eu piso hoje, por toda a realidade que existe, o que é que eu preciso dizer? seja o que for, eu, o meu mais profundo eu, o fio que há em mim, está apagado. apagado como o texto que escrevi e que não fui capaz de publicar.
Posted by ||Nat at 18:25:41 | Permalink | No Comments »

De repente, você descobre que tudo aquilo que você já escreveu e vem escrevendo não passa de uma coisa chata e repetitiva: tanto quanto você mesma. Descobre que não é assim que deve ser, apesar de ter sido por tanto tempo.
 
Então você fica descontente, porque não quer uma autobiografia. Você escreve em busca de si mesma, mas não era pra se mostrar. Deveria ser para inventar. A partir da própria referência, claro. Mas não a partir da própria vida. Então você descobre que precisa ouvir mais as pessoas, para descobrir o que existe nelas e que não existe em você.
 
E descobre que está tão surda, que perdeu a paciência, que perdeu um pouquinho da humanidade. E fica se debatendo para mudar. É preciso mudar a escrita? Então é preciso mudar a alma. Mas há a preguiça. Há estagnação. Há o destino que, fatalmente, se cumpre. Há que se esperar que o que tem de ser aconteça. E há o desespero. A vontade de fazer os minutos correrem mais rápido, para ver no que tudo isso vai dar. No que você vai dar.  Há tudo isso.
 
E você pensa que deve passar um tempo sem escrever, para não fazer besteira. Então há o vazio. Há o nada dentro da existência. Há a resistência em fazer o que deve ser feito – mesmo sem saber o que é que deve ser feito. Imagina só: você fica sem fazer o que sempre fez e sempre amou, o que sempre aceitou que deveria ser feito: escrever. De repente não aceita mais o próprio modo. Não aceita mais o próprio modo de existir.
 
De repente se preocupa com quem vai ler, e se envergonha tanto por isso! Porque, antigamente, nem mesmo se importava com o leitor, nem se lembrava que alguém poderia ler. Aí sua alma se debate dentro do corpo, tentando encontrar uma saída: antes a saída eram os dedos, agora você está entupida, pois sua alma não vaza mais. E descobre que talvez, seja preciso entupir ainda mais. Se intoxicar. Como quando você sabe que está gorda e precisa se sentir ainda mais feia para resolver tomar uma atitude.
 
E você abaixa a cabeça, porque, no fundo, no fundo, intui que é mesmo assim que deve ser. Que isso tudo é imaturidade da sua parte, que você apenas não sabe lidar com a mudança. E vem à sua cabeça os amigos de antes, de lá. A falta que eles fazem. E você pensa em como lidar com o que eles pensam a seu respeito. Eles ficaram lá. Você mudou. E você os ama, mas eles não a conhecem mais. E talvez não amem mais o que restou de você em você. E dói.
 
Você quer escrever, mas não consegue mais chegar ao fundo de si. Não sabe lidar com o que se tornou. Só sabe que vai ter que esperar: sem saber por quê, exatamente, precisa esperar. Tenta se acalmar, rezar para um deus que nem sabe se existe. Fecha os olhos  e diz: deus, se você existe, cuida do meu pai, mãe, irmão. E se você não existe… bom. Então eu sou uma idiota, falando com ninguém. E sente saudade da crença, da fé, da religião que, de alguma forma, foi se perdendo.
 
Sente saudade de viver sem tentar encontrar uma lógica, da inconsciência. Da ingenuidade que acabava te levando para onde você tinha de ir. Então é isso? Quando você se torna consciente, perde a capacidade de andar sem rumo? Quando você se torna consciente, você tem um objetivo tão fixo, um “onde chegar”, que te faz perder os detalhes aparentemente menos importantes do caminho? Aparentemente menos importantes, mas que davam a você o colorido da vida.
 
E você se cansa de falar, falar, falar. E acaba um texto que nem merecia ter sido escrito.

Posted by ||Nat at 13:46:24 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, December 9, 2008

?
Hora quero revelar
Hora quero esconder.
Horas quero me encontrar,
Horas quero me entreter.
Horas quero me jogar,
horas quero me prender.
Horas quero é falar
Horas quero desdizer
 
Ora, ora. O que querer?
 
 

Posted by ||Nat at 21:21:33 | Permalink | No Comments »

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Insano
Já se passou
Mais de um ano
Já não tenho
Aqueles planos
Já sofri
Meus desenganos
 
E continuo
Com o mesmo
Cotidiano

Posted by ||Nat at 21:18:26 | Permalink | No Comments »

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Fato
Não aceitar
Meus hiatos
 
Crise
Saber
Que nada
É so easy
 
Foda
Achar
Que a vida
É uma droga

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Posted by ||Nat at 18:14:09 | Permalink | No Comments »

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Forma
Versos
Conteúdo
 
Queria poder
Escolher tudo
 

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Posted by ||Nat at 18:10:32 | Permalink | No Comments »