Suicídio
Ficar em silêncio me faz perceber que dentro dele posso sentir todas as palavras do mundo: até as que não existem. O meu grande problema não é a linguagem. A verdade é que todos os meus problemas se refletem nela: se estou perdida, também está perdido o meu dizer. Estou me sentindo interminada, e sem perspectiva: interminados e sem perspectiva estão os textos que redijo. Talvez eu deva deixar de escrever por um tempo. Mas é fato: eu não aceito esse hiato. Eu me obrigo a escrever, da mesma forma que às vezes tento me obrigar a querer coisas que na verdade eu não quero.
Antigamente não era assim. Talvez porque eu não era assim, tão lógica. Para falar a verdade, eu tinha pena das pessoas que se sentiam como eu me sinto agora. [ Paro um momento para saber se conto uma história ou se quero que esse texto seja lírico ]. Agora tudo o que eu sinto é vergonha, porque me perdi de vista.
Cadê aquela pessoa que flutuava por aí, com um caderninho na mão, escrevendo no trem, no ônibus? Aquela pessoa virou uma sombra. Uma criança que se escondeu em mim, não sei onde. Onde está a criança? Ela sim, tinha fé. Acreditava nas pessoas e nas coisas e nas idéias sem medo de estar errada. Essa mulher aqui, que você vê, sufocou aquela criança com o travesseiro e a jogou debaixo da cama.
O tarô me disse que o que preciso não é comunicação: é comunhão. Vou tentar ficar em comunhão comigo mesma. Com o mundo. Ouvir mais, falar menos. Para isso, deixarei de escrever – você sabe do que eu estou falando. É claro que eu não poderei de fato deixar de escrever, uma vez que esse é o meu ganha pão. Mas agora entrarei em contato com o meu ser mais íntimo: permanecerei calada. Talvez, muda, as coisas mudem. E talvez essa seja a melhor e mais importante morte da minha vida. Adeus.
Ficar em silêncio me faz perceber que dentro dele posso sentir todas as palavras do mundo: até as que não existem. O meu grande problema não é a linguagem. A verdade é que todos os meus problemas se refletem nela: se estou perdida, também está perdido o meu dizer. Estou me sentindo interminada, e sem perspectiva: interminados e sem perspectiva estão os textos que redijo. Talvez eu deva deixar de escrever por um tempo. Mas é fato: eu não aceito esse hiato. Eu me obrigo a escrever, da mesma forma que às vezes tento me obrigar a querer coisas que na verdade eu não quero.
Antigamente não era assim. Talvez porque eu não era assim, tão lógica. Para falar a verdade, eu tinha pena das pessoas que se sentiam como eu me sinto agora. [ Paro um momento para saber se conto uma história ou se quero que esse texto seja lírico ]. Agora tudo o que eu sinto é vergonha, porque me perdi de vista.
Cadê aquela pessoa que flutuava por aí, com um caderninho na mão, escrevendo no trem, no ônibus? Aquela pessoa virou uma sombra. Uma criança que se escondeu em mim, não sei onde. Onde está a criança? Ela sim, tinha fé. Acreditava nas pessoas e nas coisas e nas idéias sem medo de estar errada. Essa mulher aqui, que você vê, sufocou aquela criança com o travesseiro e a jogou debaixo da cama.
O tarô me disse que o que preciso não é comunicação: é comunhão. Vou tentar ficar em comunhão comigo mesma. Com o mundo. Ouvir mais, falar menos. Para isso, deixarei de escrever – você sabe do que eu estou falando. É claro que eu não poderei de fato deixar de escrever, uma vez que esse é o meu ganha pão. Mas agora entrarei em contato com o meu ser mais íntimo: permanecerei calada. Talvez, muda, as coisas mudem. E talvez essa seja a melhor e mais importante morte da minha vida. Adeus.