Não defendo nenhum estilo de vida. Nem mesmo o meu. Estilo de vida é mais do que uma simples escolha. É uma soma entre circunstâncias e superações que fazemos pelo caminho. Aquele caminho, que cada um traça à sua maneira, com seu próprio ritmo e fluidez de passos. E esse caminho não se baseia apenas naquilo em que se acredita ou em que não se acredita. Mas naquilo que se passa a acreditar e se deixa de acreditar.
Não posso defender nenhum estilo de vida. Isso é tão pessoal, que o que me cabe como ser humano em processo de aprendizado e formação moral, intelectual, ética e também estética, é tomar uma posição no mínimo neutra em relação às pessoas e ao que elas são, ou ao que a vida fez delas. Sem demagogia, mesmo.
É que se você passa a ouvir aquilo que nunca foi dito a respeito daquela pessoinha que você tanto julga ou critica, talvez comece a pensar duas vezes antes de dizer a palavra dura.
Não que eu não tenha uma opinião a respeito da [falta de boa] política do nosso mundo, ou do nosso país. Ou sobre a Educação, a violência, o preconceito. As relações amorosas. E as de ódio. Ou deus, ou o diabo, ou o paganismo. É que creio na indivi-dualidade, e que o tempo, apesar de parecer global, é individual. E intransferível.
Cada um tem um tempo muito próprio para realizar as experiências que servirão de bagagem para o caminho que tem a trilha. Sejam elas erradas ou certas. Quem pode dizer? O tempo. Que pesa nas costas. Na consciência. Que faz a gente querer correr, ou parar. Ou nem existir. Que não volta, que causa revolta. Que vira e volta e deixa as pessoas mais velhas. Às vezes mais cansadas. Do mundo. De si mesmas. Do trabalho. Do marido, da mulher. Do próprio estilo de vida.
Pode ser depois de um longo tempo. Pode ser depois de pouco tempo. Não importa. Um dia, as pessoas se cansam.Mas se sentir cansado do próprio estilo de vida, apesar de parecer um mal, pode ser sinal de que algo de bom e diferente está para acontecer. Uma transformãção? A realização de um sonho que parecia perdido? Talvez escondido lá no fundo da alma, cheio de pesos e obrigãções que a vida acabou impondo e jogando em cima, e sufocando?
Às vezes, a gente precisa se sentir esgotado. Esgotar-se de si mesmo. Esvaziar-se. Tudo para perceber o quanto desrespeitamos nossos próprios desejos. E pior: nossas necessidades básicas. É preciso que se canse de si mesmo. Do próprio estilo de vida.
Quem não se cansa de si, jamais aprenderá o que não é si, jamais orbitará outra rota senão o próprio umbigo. Nunca é tarde demais para estar cansado de si. De esvaziar. E então se renovar, para se (re)preencher [sem se repreender] de sentido.Mas nunca, nunca ressentido. Estilo de vida não serve para ser defendido. Estilo de vida é para ser jogado fora.
Está cansado? Dê graças [a quem ou a quê eu não sei, mas no mínimo a si mesmo]. Pelo menos você não está mais acomodado.