Eu e minha língua grande.
A minha linguagem sempre foi uma procura pela lógica. Mas a minha língua quer aquele que não faz nenhum sentido, aquele que é todo sentido. Minha linguagem serve para mascarar as vontades de minha língua. Por que as minhas forças vivem assim, excluindo-se mutuamente? Não podem viver em paz?
Estou tão cansada de mim mesma, e o cansaço vem de eu achar que me sei. Na verdade, o que sou foge ao meu alcance, e quando eu penso que me sei, me limito demais. O que sei de mim são mistérios que se opõem uns aos outros.
Da parte que me sei, vivo cantando louvores às lógicas que crio para viver.
É fato: me explico demais, inclusive onde não há explicações: invento. Eu sou inventiva e isso está me atrapalhando, porque a minha fertilidade ideológica vai contra ao meu ritmo natural de vida. E eu não consigo escoar como uma vida de cachoeira. Sou setenta porcento água, mas a própria água não tem consciência de si. Ela vai de um lugar a outro dependendo da inclinação do terreno, ela não decide para onde vai: só vai. E não se pergunta se é o caminho certo. Sabe que é, é de sua natureza compreender que todos os lugares onde está, é o lugar certo para estar.
Me deixar ir? Sem pensar. Devo então parar de escrever? O que era uma cura está virando a própria doença, escrever me põe a realizar enganos contra mim.
A minha linguagem poderia ser líqüida, mas é tão sólida e gélida que prende a minha língua. Mesmo quando minha linguagem fantasia-se de fogo, mesmo quando a minha linguagem fala de amor e de coisas que parecem puras, a minha linguagem é feita do que sei e eu também sou o que eu não sei de mim, então sou maior do que a minha linguagem pode dizer. A linguagem me põe pequena, miudinha, me faz falar quando é necessário estar muda, e me faz estacionar quando o que eu mais preciso é mudar. A minha maior doença hoje, é a linguagem.
Estou tão cansada de mim mesma, e o cansaço vem de eu achar que me sei. Na verdade, o que sou foge ao meu alcance, e quando eu penso que me sei, me limito demais. O que sei de mim são mistérios que se opõem uns aos outros.
Da parte que me sei, vivo cantando louvores às lógicas que crio para viver.
É fato: me explico demais, inclusive onde não há explicações: invento. Eu sou inventiva e isso está me atrapalhando, porque a minha fertilidade ideológica vai contra ao meu ritmo natural de vida. E eu não consigo escoar como uma vida de cachoeira. Sou setenta porcento água, mas a própria água não tem consciência de si. Ela vai de um lugar a outro dependendo da inclinação do terreno, ela não decide para onde vai: só vai. E não se pergunta se é o caminho certo. Sabe que é, é de sua natureza compreender que todos os lugares onde está, é o lugar certo para estar.
Me deixar ir? Sem pensar. Devo então parar de escrever? O que era uma cura está virando a própria doença, escrever me põe a realizar enganos contra mim.
A minha linguagem poderia ser líqüida, mas é tão sólida e gélida que prende a minha língua. Mesmo quando minha linguagem fantasia-se de fogo, mesmo quando a minha linguagem fala de amor e de coisas que parecem puras, a minha linguagem é feita do que sei e eu também sou o que eu não sei de mim, então sou maior do que a minha linguagem pode dizer. A linguagem me põe pequena, miudinha, me faz falar quando é necessário estar muda, e me faz estacionar quando o que eu mais preciso é mudar. A minha maior doença hoje, é a linguagem.