Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007

Para aqueles que são materialistas, não no sentido de ambicioso, mas no sentido de não crer em algo após esta passagem terrena:

 

-eu não acredito em vida após esta vida, isso é fruto da imaginação das pessoas, nada comprovado, não acredito na interferência do além, não acredito em espíritos. tudo é fruto de uma imaginação fértil, química cerebral, alucinações, freud explica.

-pois que seja. ainda assim eu prefiro gastar a minha imaginação com coisas positivas, já que no final nada vai valer a pena, pelo menos no durante valeu.

 

Exercício para fortalecer a existência:

 

1-Esteja certo de que você sabe quem é você.

2-Duvide da sua certeza.

3-Esteja certo de que estava errado a respeito do julgamento que fazia de si mesmo.

 

modo de processamento: não, as pessoas não mudam, elas apenas despertam em si pontos adormecidos, anteriormente adormecidos. Iluminam, abrem as cortinas, tiram o véu, o véu que chamavam de certeza: oras, a pior maneira de errar é tendo certeza, a certeza é uma obsessão.

a melhor maneira de viver não é corrigindo, é despertando. corrigir é verbo que deixa o erro implícito, e oras, o que é mesmo o erro? erro e acerto, feio e bonito, bom e mau, bem e mal, homem e mulher. a dualidade está na nossa cabeça, tudo é uma só coisa.

 

A certeza não é nada, nada saudável. Eu tenho certeza disso.

Escrito por ||Nat em 01:38:59 | Link permanente | Comments (1) |

Terça-feira, 18 de Setembro de 2007

Ah, vida, me perdoe por eu ser uma árvore ávida e seca, plantada em terra fértil.
Quero tua piedade para amaciar as minhas desvirtudes.
Para castigar minha impunidade.
Para fatigar a minha vaidade.

Ah, vida, me ensina a existir sem que eu pense demais, porque concluo muito e sinto de menos.
Quero tua caridade para amenizar minha perversão.
Para desnudar meu corpo que anda por vias tortas.
Para perdoar a minha ingratidão.

Quem disse que jesus morreu na cruz?
Vou contar o segredo que sei, que jamais contei: jesus vive, mas morre aos poucos.
Tudo o que está escrito não é passado, é futuro. Esse é o furo.
A cruz, ser humano, você constrói todos os dias.

A minha religião não tem nome, só fome.
Fome da indulgência da vida, pela minha indigência.
Pela minha existência quase perdida.
Escrito por ||Nat em 01:57:31 | Link permanente | Comments (8) |

Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

Jorge,

 

a tua língua de dragão é pouco para a minha saliva. Tenho ódio de teus olhos piscantes, são claros demais para as minhas pupilas obscuras. São lanternas demais para mim, que sou avessa a qualquer tipo de luz.

 

estou indo embora, Jorge, a tua espada fez um corte profundo em algum lugar da minha alma- só falta descobrir qual lugar é esse.

 

ah, Jorge, já nos suportamos muito menos, por muito mais. mas o momento ficou insustentável, Jorge, Jorge. teu nome jamais seria jeová se comigo ficasse, porque eu sou o próprio inferno de corpo e enferma de alma para acalentar suas dores.

 

o seu afogamento é raso, jamais poderia te puxar de um lugar inofensivo. você só precisa olhar para baixo e ver que a água que apaga o teu fogo não chegou às suas narinas, está apenas cobrindo seus pés. pode respirar, Jorge, não pira, a tua morte está longe, é só olhar para baixo, olhe! olhe, antes que seja tarde. se já não é. porque depois da morte, Jorge, resta-nos a própria sorte, sabe bem como é, escolher por si mesmo, com a mente - o maior juiz - o prórpio norte.

 

Jorge, o teu fogo, foice de morte, foi-se, de morto, sem hesitar, com muito êxito e quase nenhum êxtase.

 

olha a minha língua, Jorge, cansada de tagarelar palavras amarelas, olha! ela não molha mais os teus mamilos, ela secou como se a última ponta tivesse sido tragada. e os teus pêlos, Jorge, o que farei de minha vida sem teus significantes pêlos? talvez uma última tossida para retirar o pêlo seu que sobrou na minha garganta?

 

a tua alvura virou alvo, e eu errei a mira, Jorge, errei de loucura! culpa tua! culpa tua por não ter ficado parado para que eu te atingisse em cheio. mas se a minha seta chegasse a tanger teu peito, tudo estaria desfeito e não haveria volta. ainda bem que você correu de covarde, porque esse erro meu, o de matar você, Jorge, seria o suficiente para que eu me atirasse da janela. o pensamento. ah! o pensamento. lembra, jorge?

 

mas olha, meus cabelos estão ao vento, Jorge, eu ao relento, desatenta e tentadora. solta.

 

ah, Jorge.

Escrito por ||Nat em 23:28:20 | Link permanente | Comments (2) |

Terça-feira, 11 de Setembro de 2007

depois do gozo

Posso contar os minutos em um relógio de pulso: quanto tempo levo para gozar?

Tão irrelevante, irreverente quanto responder que tudo varia com o tesão.

Depois do gozo, não vem a falta de desejo?

Se desejosa estava do gozo, e se o gozo veio, o que mais desejar?

 

Em que utilizo minhas energias, se sou eu mesma uma porta, uma válvula de escape?

Não sei fechar as portas, os chakcras, a janela da sala, a porta dos meus sentimentos.

Como manter portas abertas sem deixar a casa suja?

 

 

Para onde vão todos os meus ímpetos? Se eles esgotam depois do gozo?

Escrito por ||Nat em 00:49:59 | Link permanente | Comments (1) |
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