Quarta-feira, 18 de Julho de 2007

Eu queria que você errasse para que eu pudesse me sentir mais humana. Para que pudesse me ver em você.Erra?

Eu perdôo o erro teu para que eu possa perdoar os meus. Erra e não conte para mim com medo do que eu possa pensar, fazer, falar. Erra? Erra e não me conta, erra e demora no erro, erra e mora no erro e pensa que já era, mas não era. Eu juro que perdôo, mas por deus, erra!

Erra e espera o tempo passar e não me conte. Depois limpe a sua consciência com o meu cândido perdão. Venha para os meus braços pedindo afago e arrego, pedindo um tempo pro ego, pedindo um pedaço do meu coração que já é teu e você sabe, mas não sabe, e saberá muito completamente quando errar e eu estiver lá. Erra porque o erro cabe na minha vida, erra porque lá vem a nova era da verdade, e não errar é demais de maldade com os impuros. Erra!

Erra porque o meu corpo berra. Ele não é de acertos, ele precisa de aceitação, e fica mais fácil aceitar o erro próprio quando se vê no espelho do outro. Erra e me pede conselho, juro ser imparcial. E se eu não for, não será por mal. Erra, que nenhum erro para mim é fatal.

Erra no erotismo, erra no romance, erra no ritmo da sua vida, na interpretação da minha palavra. Quanto mais você erra, mais eu te amo. Porque acertar para sempre é o meu maior engano.

Escrito por ||Nat em 23:00:24 | Link permanente | Comments (2) |

Cansada pelo avesso

no meu travesseiro

os sonhos tropeçam

Toda noite

 esquecimento

todo dia

um recomeço. 

Escrito por ||Nat em 22:42:25 | Link permanente | Comments (0) |

Terça-feira, 10 de Julho de 2007

Banho 

 

 

 

Gotículas translúcidas de água com Sol de janela.

Lá estava ela sentada com seus pés inquietos

[mover os pés aumentava o prazer].

Não demorou e a água que jorrava

tirou a bela de sua eira e sua beira.

Foram cinco contrações sem nenhuma imagem na cabeça

A não ser a do próprio clitóris visto de cima.

Bonita menina.

Escrito por ||Nat em 23:42:51 | Link permanente | Comments (1) |

Era escrever o que eu mais desejava. Embora não soubesse ao certo direcionar temas e problemas, escrever. talvez de uma maneira confusa, drástica e incompreensível, certamente era a minha solução.

Talvez o que incomodasse eram aquelas verdades indizíveis. Eu era a única que sabia a verdade sobre o meu mundo, a verdade inatingível por pessoas de carne e osso. Meus segredos, minha segregação contínua e incontida.

Ou então o fato de possuir caminhos que ainda não possuia. Como tomar posse daquilo que sabia ser meu, mas que, insegura de meus direitos, vacilava entre o agarrar eo deixar ir, ou entre o buscar ou ser encontrada?

-Ah, sim- diria qualquer um e eu inclusive que era a idade. Sete mais sete mais sete era uma equação inexata e seu produto era mil possibilidades.

Eram mil idéias fecundadas por segundo, abortadas por um ventre ainda tolo, expulsas por um útero ridículo e pequeno. Mil idéias perdidas porque fecundadas! O que fazer com tanto esperma mental na fila dos meus ávidos óvulos de idéia?

Talvez um anticoncepcional? Qualquer um eficiente, até mesmo um coito interrompido para evitar desastres?

Ou reconhecer que não sou heroína e possuo limites talvez fosse o primeiro passo certo para uma felicidade menos irreal?

Seria recusar? Recusar o todo para aceitar a parte que me cabe? Não é disso que se trata aquilo que é contrário a ganância?

Ganância meu problema? Querer ser grande? Para alguém? Para o mundo? Para mim? Mania de grandeza?

Mais um dia se passava e eu aprendia a enxergar um novo erro em minha conduta. Uma porta que se abria para o conhecimento do meu lado sombra. Não gostava de lidar com a minha sombra, odiava admitir não ser apenas claridades.

Era difícil para meu orgulho de boa moça admitir ser gananciosa. Mas sempre fui. Pelo menos descobri antes de morrer.

Eu nunca pari algo vivo. Ainda apenas fetos incompletos.

 

Escrito por ||Nat em 23:26:19 | Link permanente | Comments (0) |
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