Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

Femme nino.

Eu sou mulher.

Quando entrar no meu quarto, feche a porta.

Deixe a janela entreaberta porque eu não gosto do escuro total.

Faça cara de quem está pensando, criando, imaginando coisas sobre mim, sobre nós, ou sobre qualquer coisa.

Sorria, de um sorriso que não tenha graça, mas de um sorriso que contenha algo que seja misterioso, algo que eu não saiba desvendar. Faça algo que eu não saiba entender.

Fique sério. Me deixa te beijar. Me deixa te descobrir. Vai deixando, que eu me revelo.

Saiba tocar, nunca chegue direto ao ponto.

Finja que vai me dizer algo no ouvido. Finja que esqueceu o que ia dizer e fique lá, respirando. Observe as bolinhas de arrepio que vão se formando na minha pele. Bom sinal.

Prenda meu cabelo suavemente entre seus dedos. Deixe que alguns fios escorreguem, aja como se nunca tivesse visto um pescoço desnudo, como se tivesse curiosidade, como se fosse enxergá-lo além dele. E enxegue-o realmente desta maneira, porque há muitas coisas nele que vão além dele. Beije-o, mas sem pressa, sem pressão, sem força. Deixe os seus lábios roçarem-no, bem próximo aos primeiros fios do meu cabelo.

Imagine uma flor que se despedaçaria se tocassem-na com o menor sinal de força. Eu sou essa flor dentro do meu quarto com você. Então desça as suas mãos, tocando-me quase que imperceptivelmente, da nuca até o quadril. Suba novamente, e desça, suba, e desça, até que toda a minha pele tenha sido preenchida com a suavidade do seu tocar.

Faça tudo bem devagar. Eu sou mulher, faça devagar, eu sou delicada, vá devagar, eu sou frágil, vá levemente.

Me beije. Não poupe tempo, não poupe espaço, não poupe nenhuma parte do teu corpo nem do meu. Deixa que eu te beije.

Envolva-me em você. Então não vejo nada, sou apenas sentir. Suor, pés tocando. Pernas entrelaçadas, esfrega, esquenta, calor!

Cabelos na boca, cabelos no rosto, beijo com cabelos, meus cabelos em todo lugar, meus cabelos teimosos, meus cabelos intrusos, meus cabelos lisos e castanhos escondendo meu rosto! Um pingo de suor no gosto da minha saliva, sal meu, sal teu, nosso sal, nosso suor, minha doçura, nossa loucura.

Troca de lado, troca de tudo, troca de riso, troca de fôlego, troca de posição.

Não, ainda não, espere. Está bom, assim. Espere, eu sou mulher!

Fascinado, encantado, deixe-se levar. Let yourself go. Just free your soul.

Quase, quase, quase entra, mas me faça pedir, me deixe implorar, reverta o quadro, reverta o estado, reverta o lençol, reverta tudo.

Reverta, inventa, inverga, inclina, inspire, respire, solta, prende, aperta, sem força, com jeito, sem pressa, bem-feito.

Es co  rr  e gaaa.

Desliza, suaviza, inicializa.

Tente encontrar algo dentro de mim, algo perdido, algo suave, algo delicado. Tente encontrar sem as mãos.

Eu sou mulher.

Isso é ser mulher. Isso também é ser mulher.

Reinvente-me.

 

 

Escrito por ||Nat em 12:18:24 | Link permanente | Comments (4) |

Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Go Pato!

Me chamou pra ir escolher um pato com ele. Hoje estaria ocupada, então ele adiou a compra do pato.

Como um pato importa para mim! Veja bem, é profundo isso. Ele poderia ter ido comprar o pato, mas me esperou para que escolhêssemos juntos, o pato. 

Qual a importância, qual a significância, qual a profundidade do pato?

Vou mergulhar nessas profundezas interiores, precisaria eu de um pé-de-pato?

Quem nasceu primeiro? O ovo ou a pata?

O que nasce primeiro? O amor ou a convivência?

Não sei, mas eu sei o quanto isso significa pra mim. O quanto essas pequenas coisas vão construindo certos sentimentos dentro do meu coração.

Eu estou sabendo  como me sinto em uma estrada, indo pra São Paulo, e querendo aquela, justamente aquela companhia que não está ali. Tudo bem, não está ali, mas quando eu percorrer a estrada de volta aqui pro interior, sei que ele estará lá, em algum lugar da cidade, pra me encontrar.

Como é bom e perigoso não ter controle nenhum sobre meus sentimentos!

Os patos fazem quém-quém. Eu quero-quero ele. Quero-quém-quem eu quero. E 'tenho'.

Que paz...

Assim eu nem me importo em pagar o pato.

 

 

 

Escrito por ||Nat em 17:48:54 | Link permanente | Comments (0) |

Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

Guia

Alguém me guia, quem é, além de mim?
Alguém me aponta o caminho, quem é, que não enxergo?
Alguém me realinha.
Acordei repetindo uma frase, que agora virou uma sensação apenas, mas vou me esforçar para colocá-la em palavras novamente.
 ...
Esforçando...
Esforçando... ...
Não estou conseguindo!
 
 ... Vamos lá... vem, vem, racionalização, VEM!
 
Vejamos...era algo como: compreendo! Se tivesse passado por todas as situações que você passou na vida, certamente eu reagiria da mesma maneira que você.
 
Compreendo!
 
 Mas a quem eu me dirigia? A quem eu dizia isso, repetidas vezes, na fase entre-sono-e-vigília que geralmente possuo logo após acordar?
Foi a sensação que me tomou: compreensão.
 
Mas e esse ar comprimido que mói meu peito quando não sei o que fazer? E essas correntes com bolas de ferro no meu pé, que arrasto por onde vou? Essa compreensão toda pós-sono, onde eu enfio? Onde eu encaixo essa sensação?
 
Na hora em que as pessoas fazem coisas que eu não queria que fizessem?
Quando me atingem a rotina? Quando as acho folgadas e mesquinhas?
 Quando por acaso elas me reprimem, me tiram algo?
Onde eu encaixo a compreensão? Dentro de mim, além de mim, transpassando-se a mim?
Onde é mim?
 
Alguém me guia. Quem é você a quem eu me dirijo? Que me dá a mão quando eu tenho medo do escuro?
Quem é você que só reconheço quando fecho os olhos, plenamente inconsciente?
 
Estou fora de foco.
De forma.
Do caminho eu não sei, acho que estou dentro dele.
Não tem como estar fora dele.
 
 Estou fora. Por fora. Dando o fora. Dando foras.
Despreocupadamente preocupada com as horas.
Sem saber quando é que é agora.
E agora.
E agora.
 
E agora?
 
Estou indo embora, embora tenha ainda mil assuntos a tratar. Mas estou fora de foco. Desfocada, desgramaticalizada, desalinhada, desequilibrada, desanimada.
Depois eu volto.
 
 
Fui!
Escrito por ||Nat em 14:32:19 | Link permanente | Comments (2) |

Domingo, 18 de Fevereiro de 2007

Sai!

Eu não quero sentir isso - tira esse sentimento do meu peito agora!

Eu imploro, eu choro, eu grito, eu berro, eu urro - TIRA AGORA!

Tic, tac, tic, tac, tic, tac.

O relógio continua, e continua, e continua.

Ô hora mais besta pra gostar de alguém. É, é burrice gostar de alguém às duas horas da manhã em pleno sábado de carnaval, diria mais: é loucura!

Sem mais, já falei demais sobre isso.

Sábado tranquilo, com vassoura, balde, panos, móveis de perna pro ar. Limpeza, arrumação. Jogo do Paulista, 3x2. Que delícia ver o timezinho da minha cidadezinha acabar com o Corinthians nos últimos três segundos do segundo tempo!

Sábado arrumado. Nenhum peso nas costas. Obrigações concluídas! Aaah, que bom...

Coração confuso - ah, que bloqueio, não quero falar!

Dentro do guarda-roupa coloquei os meus cadernos cheios de textos e poesias. Colei com cola bastão um desenho que ganhei da filha de uma amiga, de seis anos. A Heleninha. Dela também ganhei um palhacinho pintado colado num palito de sorvete. Também passei cola nele e coloquei no guarda-roupa. Além deles fiz uns desenhos com giz de cera e grudei lá dentro.

Meu caderno azul da capa do trem já está completo. E comecei a escrever em novembro! Acho que eu estou muito intensa. Questionadora. Fujona! Fujo do assunto principal! É, fujo mesmo, não quero falar.

Tô com medo. Foda-se! Essa sou eu. Humana. Medo, raiva e o escambau. Tudo isso eu sinto.

ô neguinha compricada!!!

 

Além de tudo, menstruada!
Arre!
Puta que o pariu, viu!
 
Estou me sentindo uma idiota, odiei tudo o que escrevi. Mas me amo, e como reflexo de mim, abraço esse texto.
E posto.
Ainda tenho de aprender a conviver comigo.
Escrito por ||Nat em 01:00:46 | Link permanente | Comments (0) |
1 2 3