Feminina
Tão fêmea quanto a cadela no cio
A procura de um pai para seu filhote.
Tão louca e aguda como se extraísse
A mescalina do peiote e a tomasse
Em uma dose grande e perigosa.
Tão apaixonada como fora antes
Da cura da tuberculose, antes da penicilina.
Tão confusa quanto a vida, tão intensa
Como um filme europeu.
Tão Julieta, tão Julieta sem Romeu.
Tão moça sem rumo, sem prumo, com pressa.
Tão presa dentro de mim.
Tão assim.
Feminina.
Tão fêmea quanto a menina que descobre seu corpo.
Tão indecisa quanto a menina que se vê no espelho.
Tão, tão apaixonada quanto uma menina que ama pela primeira vez.
Tão aberta como a menina que beija outra menina.
Feminina.
Tão fêmea quanto a sina de ser menina.
Tão escandalosamente feminina
De unhas cor-de-rosa
Com cheiro de acetona.
Correndo uma maratona de amar à tona
O homem que escolheu pra sua vida.
Feminina
Tão desesperada com fome de engolir o mundo
De uma vez.
E de uma vez por todas
Enxergar a tudo que a cegueira humana
Não é capaz de ver.
Feminina.
Sôo e sou.
Assim.
Absorvida, de mim.
Ainda não absolvida da vida.
Fé na fé da menina.
Feminina.