Foi-se.
Ela estava decidida. Todas as vezes em que sua amiga dormia em casa, brincavam de colocar o vidro de perfume dentro de suas respectivas vagininhas. Essa cumplicidade com a amiga vinha de muitos anos, desde a infância, quando ambas resolveram se beijar para saber como era sentir duas línguas roçando moles em bocas coladas. Mas todas as vezes em que a amiga dormia em casa se via perplexa diante da pergunta:
-Já acabou? Eu acabei de acabar. Boa noite, até amanhã.
Como assim acabou? O que era acabar?
Uma vez ouviu barulhos de coisa molhada mexendo na cama de baixo, e perguntou à amiga o que era aquele barulho.
-O quê? Você não fica assim, molhada? Deixa eu ver.
E foi a primeira vez em que foi tocada por alguém que não era ela mesma. Foi tocada e foi gostoso. Foi gostoso e quis mais, mas logo a amiga cortou:
-Viu? É assim que se faz.
Não, ela queria aquela mão ali, por mais tempo. O que era aquela sensação que nem nome sabia dar?
Mas hoje? Ah! Hoje ela estava decidida. O pai e a mãe na cozinha, ela no banheiro. Deitou-se no chão do box, e ansiosa, com a boca mesmo arrancou a ponta do chuveirinho. Pressionou-o com uma das mãos, abriu as pernas e mirou. O jorro tocava o clitóris com força, até incômoda. As pernas tremiam, incômoda. O tempo passava, dez minutos, vinte minutos. Mas estava decidida. Afinal, o que era o final? Ela prendia os lábios, ousava colocar a língua para fora e nesta liberdade que a língua ganhava por alguns segundos, podia sentir o salgado do rosto cansado e aflito. Os pais desconfiavam? Os pais na cozinha, a porta trancada, o jorro jorrando. Ela se olhava, ela se notava, branca e adolescente, ela via a ingenuidade toda em seu corpo e não sabia que aquilo era a santidade indo embora para sempre.
Trinta minutos, trinta e cinco minutos. Pela primeira vez, quase desistiu. O seu corpo estava insuportável de tão novo que era para ela, os dedos dos pés não paravam de entortar para baixo sem nenhum tipo de controle, as coxas tremiam inevitavelmente. Ai meu deus, o que era aquilo, o que estava sentindo, o que era aquele medo que a fazia ousar ainda mais nos minutos? De uma só vez sentiu uma contração desesperada que não foi comandada por ela mesma no meio das pernas. E outra, mais outra, e agora menores e depois insensíveis. Algo estava preso dentro de seu ventre, algo o seu ventre agora a revelava, algo se soltava e algo se prendia. Agora ela tinha consciência do que habitava suas entranhas, não, agora deixava de ser uma estranha para ser mulher, mesmo que ainda muito menina. Depois disso o jorrar doía e ela sossegou. Coração batendo como nunca dentro do peito a despeito da preguiça e da tranqüilidade que inesperadamente a tomava.Foi isso. Ainda perplexa, mas satisfeita, colocou novamente a ponta do chuveirinho na mangueira, desligou a água e secou-se com a toalha do Mickey Mouse.
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meninas, meninas. tão novinhas, mas já tão senhoras de si. vêem num chuveirinho prazer além da conta, enquanto meninos se degladiam em suas brincadeiras que machucam. mas o que deve machucar mesmo, doer de verdade, é, ao chegar a idade, trocar o chuveirinho pelo moço da escola, o namorado que o tempo todo amola e, ao conseguir, não faz metade do que o chuveirinho fazia…
meu filho se chamará josé chuveirinho e nunca deixará nenhuma menina na mão. ou no chuveiro.
(=
(piada sem graça… mas é que tive de pensar em outras coisas, sabe? er… =p)
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hahaha concordo com o Vitório