Thursday, July 19, 2007

Eu queria que você errasse para que eu pudesse me sentir mais humana. Para que pudesse me ver em você.Erra?

Eu perdôo o erro teu para que eu possa perdoar os meus. Erra e não conte para mim com medo do que eu possa pensar, fazer, falar. Erra? Erra e não me conta, erra e demora no erro, erra e mora no erro e pensa que já era, mas não era. Eu juro que perdôo, mas por deus, erra!

Erra e espera o tempo passar e não me conte. Depois limpe a sua consciência com o meu cândido perdão. Venha para os meus braços pedindo afago e arrego, pedindo um tempo pro ego, pedindo um pedaço do meu coração que já é teu e você sabe, mas não sabe, e saberá muito completamente quando errar e eu estiver lá. Erra porque o erro cabe na minha vida, erra porque lá vem a nova era da verdade, e não errar é demais de maldade com os impuros. Erra!

Erra porque o meu corpo berra. Ele não é de acertos, ele precisa de aceitação, e fica mais fácil aceitar o erro próprio quando se vê no espelho do outro. Erra e me pede conselho, juro ser imparcial. E se eu não for, não será por mal. Erra, que nenhum erro para mim é fatal.

Erra no erotismo, erra no romance, erra no ritmo da sua vida, na interpretação da minha palavra. Quanto mais você erra, mais eu te amo. Porque acertar para sempre é o meu maior engano.

Posted by ||Nat at 02:00:24 | Permalink | Comments (2)

Cansada pelo avesso

no meu travesseiro

os sonhos tropeçam

Toda noite

 esquecimento

todo dia

um recomeço. 

Posted by ||Nat at 01:42:25 | Permalink | No Comments »

Wednesday, July 11, 2007

Banho 

 

 

 

Gotículas translúcidas de água com Sol de janela.

Lá estava ela sentada com seus pés inquietos

[mover os pés aumentava o prazer].

Não demorou e a água que jorrava

tirou a bela de sua eira e sua beira.

Foram cinco contrações sem nenhuma imagem na cabeça

A não ser a do próprio clitóris visto de cima.

Bonita menina.

Posted by ||Nat at 02:42:51 | Permalink | Comments (1) »

Era escrever o que eu mais desejava. Embora não soubesse ao certo direcionar temas e problemas, escrever. talvez de uma maneira confusa, drástica e incompreensível, certamente era a minha solução.

Talvez o que incomodasse eram aquelas verdades indizíveis. Eu era a única que sabia a verdade sobre o meu mundo, a verdade inatingível por pessoas de carne e osso. Meus segredos, minha segregação contínua e incontida.

Ou então o fato de possuir caminhos que ainda não possuia. Como tomar posse daquilo que sabia ser meu, mas que, insegura de meus direitos, vacilava entre o agarrar eo deixar ir, ou entre o buscar ou ser encontrada?

-Ah, sim- diria qualquer um e eu inclusive que era a idade. Sete mais sete mais sete era uma equação inexata e seu produto era mil possibilidades.

Eram mil idéias fecundadas por segundo, abortadas por um ventre ainda tolo, expulsas por um útero ridículo e pequeno. Mil idéias perdidas porque fecundadas! O que fazer com tanto esperma mental na fila dos meus ávidos óvulos de idéia?

Talvez um anticoncepcional? Qualquer um eficiente, até mesmo um coito interrompido para evitar desastres?

Ou reconhecer que não sou heroína e possuo limites talvez fosse o primeiro passo certo para uma felicidade menos irreal?

Seria recusar? Recusar o todo para aceitar a parte que me cabe? Não é disso que se trata aquilo que é contrário a ganância?

Ganância meu problema? Querer ser grande? Para alguém? Para o mundo? Para mim? Mania de grandeza?

Mais um dia se passava e eu aprendia a enxergar um novo erro em minha conduta. Uma porta que se abria para o conhecimento do meu lado sombra. Não gostava de lidar com a minha sombra, odiava admitir não ser apenas claridades.

Era difícil para meu orgulho de boa moça admitir ser gananciosa. Mas sempre fui. Pelo menos descobri antes de morrer.

Eu nunca pari algo vivo. Ainda apenas fetos incompletos.

 

Posted by ||Nat at 02:26:19 | Permalink | No Comments »

Outra coisa para não ser lida.

Eu olhava para meus braços. Era um problema me achar tão morta? Tão densa e ao mesmo tempo tão vívida? O braço branco e morto, a mão branca e morta, por dentro sendo nutridos pelo meu espírito vivo.

Como podia? Era lícito sentir assim? E estes pensamentos que vinham? Ah, todo pensamento que perturbasse era uma doença que precisava ser curada, mas como? Como sozinha?

Era tanto egoísmo dizer-me sozinha! Havia coisas que meus sentidos mortos não captavam, aqueles sentidos da carne branca morta, mas que nem por isso deixavam de existir.

Todo pensamento que era gerado por um sentimento trazia a sensação da náusea, da vontade de vomitar. Palavras? Vomitar eu mesma de mim?

Inventara um termo? Pois existia a antropofagia, mas e esta bulimia que me tomava sempre? Eram ambos complementares?

Era tão necessário esvaziar-me de mim para ser o outro, e ser o outro é tão platônico quanto qualquer tipo de amor existente na Terra.

O amor ideal ainda inaplicável começava a ganhar corpo em mim e agora os meus atos começavam a contaminar-se com este amor, encontrando brechas nos outros que são outros mundos aparentemente muito herméticos.

Oh, meu deusinho, como estamos longe de ti. Ser um amor de todo aplicável é esquisito para todos neste mundo de teorias. Aplicar o amor é piegas, mas deus, deusinho meu, eu sou piegas e quero te aprender.

As pessoas se olham e nem se vêem. Mal percebem, coitadas. Coitada de mim também que sou pessoa. E pessoas cruzam seus olhares mas estão desligadas. Estão sozinhas com suas imagens internas.

O ser humano é quase todo o tempo intangível. Que coisa, deusinho! São tantas as oportunidades de tocar.

Duas bocas falam e são apenas duas bocas que falam [ -bom dia? - bom dia! -tudo bem? -tudo e você?]. Nada de dentro que se exteorize, tudo gravado, tudo eco. Duas pessoas que falam são duas pessoas separadas.

Até quando? Até quando eu mesma assim?

Deusinho, nunca antes me senti tão viva, tão forte, jamais quero te abandonar. É que é tão doloroso ser humano, deus, e descobrir que se erra, que não se é perfeito, e que neste mundo onde vivo dentro de um corpo que morre todas as verdades são menores que metades.

Este trem não possui separações. É bom me distrair. Apoiar a mão direita no queixo, dar uma pausa para a caneta, observar as pessoas com suas feições.

Um homem de cavanhaque observa as coisas. Mira os olhos em tranquinhos de pouco em pouco, a bola do olho mirando, mirando, para lá e para cá, em movimentos que parecem redondos mas são quase quadrados.  Ele usa um óculos, sapatos pretos, calça social e um blazer cinza. Nossos olhos se encontram às vezes, será que ele pensa no que escrevo?

Chegamos na Estação Terminal.

 

Posted by ||Nat at 01:55:14 | Permalink | No Comments »