Wednesday, March 28, 2007

Sete palmos acima do chão

Volito

No estrondo de um grito fino de felicidade

Brinco.

Quem sou eu? Nestes dois ou três ou quatro segundos epifânicos me encontrei!

Já sei!


  

Perdi!

Os segundos passaram e estou com as solas dos pés

no chão.

Não! Não!

Cadê eu, que volitava?, e agora sinto o peso do meu corpo sobre meus joelhos cansados de tanto impacto!

 

Ai! Que quem eu encontrei já não existe mais.

Meu corpo paralisado numa morte espontânea, instantânea, repentina e passageira.

Logo mais reencontro outra eu.

Enquanto isso:

Sete palmos do chão.

Posted by ||Nat at 15:21:09 | Permalink | Comments (2)

Friday, March 23, 2007

Só o que fica
me irrita
só o que sua
me possui
só o que move
me escorre.

Só o que escapa
eu procuro
só o que parte
eu mais quero
só o que espero
que não tenho.

Só o que salva
me desfaz
só o que muda
me comove
só o que estranha
me acalma.

Só o que não me condiz me conduz.
E todos os outros são eus escondidos em espasmos quase loucos saindo dos meus buracos em qualquer centímetro qualquer de pele à procura do alheio eu em outro eu.

Saliva e secreção em confusão na tua boca depois de me emboca(nha)r.

Só o que gozo me reflete. 

Posted by ||Nat at 15:18:52 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, March 20, 2007

.era um momento bobO. todos tentavam ignorar suas externidades de movimentO. os olhos iam-se como fossem naqueles segundos bolinhas de gude ao encontro de um objeto louco qualquer na sala congeladA. era necessário que se olhasse para algum lugar, como fosse o olhar um movimento natural e espontâneo de olhos famintos por algo a ser vistO. era necessário que os olhos não ficassem vagos para que não dessem a idéia de olhos que pensam em algo que paralisa o olhar de tão profundo, gesto de pensamento perplexO

.eram algumas pessoas na sala, unidas pelo medo, pelo silêncio e palavras fingidamente naturais que fossem capazes de tingir o espanto com as cores mais normais já vistaS. era um momento violento dentro de cada palavra não ditA. em todos aqueles gestos havia o encerramento de uma escolha e de um jamais comum acordO

 .dentro dele a vontade de mordeR. e mordiA. mordia os dentes forte apertando uma arcada contra a outra como se estourasse algo ali que pudesse atingir o externO. queria beliscar, queria socar, queria gritar uma palavra bruta e única capaz de revelar os esconderijos de cada alma naquela sala de estar onde estavam todoS

.dentro dele todas as verdades do mundo em conflito, balas de revólver quase cuspidas de modo a quase ferir os ouvidos, de quase mostrar a boba perplexidade à tona, de quase começar uma iniciação de mudança de atitude, uma revolução familiar mais nítida porque já era revolução escondida, um tipo de estado mais frio do que a própria Guerra Fria, sem a arma e o escudo das palavras - só pensamentoS

.dentro dele o alimento da raiva e o germe do amor, e quanto mais raiva sentia, e quanto mais perplexidade, e quanto mais secura de expressão e frigidez de reações eram percebidos naquele instante bobo, mais amor ele queria, e maior era sua raiva diante da impossibilidade da palavra mais que certa dentro de um contexto possível e certO

 !qualquer coisa na tV

!eles imploravam por qualquer coisa tola na tV

.ele queria quebrá-la, jogá-la, explodi-la, quebrar os móveis, quebrar aquele silêncio violentíssimoe grave de não poder seR

.ele não podia seR . não podia apenas seR

.ninguém queria demonstrar perceber ali- embora algumas soubessem de fato - que ele sempre fora, desde ainda criança quando mudava seu comportamento, desde quando começava a se afastar do futebol. que o pai tanto lhe exigia o esforço, o suor, a corrida, o gol, o masculinO . desde quando começou a detestar futeboL

 .ninguém ali queria perceber que ele era e ele sempre forA ! os grandes conflitos interiores eram necessitados de máscara, dinheiro, festas e sorrisos e grandes viagenS

.ninguém ali permitia que ele simplesmente fossE

.e a atenção só recaiu sobre ele num momento menos grave, nas suas brincadeiras com a erva, cigarrinhos e etílicos, brincadeira bem menos perigos que a brincadeira sem graça e macabra do eu penso e não digo e você sofre por concluir que sei mas não falO, brincadeira que todos jogavam na sala naquele instantE . aquele jogo do bobinho, onde alguém fica no meio tentando pegar a bolA . a bola é o pensamento que nunca se alcançA

.tudo era necessário de ser feito para que ele não brincasse suas inocências adolescentes de cigarrinhos que promovem idas e voltas sem movimentO

.os corações doíam, mais ainda o de mãE

.as línguas bifurcavam-se em venenosos dissilêncios a respeito dos cigarrinhos de brincadeirA

.e dentro dele, neste instante bobo, neste instante bobo, neste instante bravo, na sala, a indignação perplexa tomava conta de cada gota de seu sanguE

.este instante linearmente após uma piada homofóbica arregaçava-lhe as víceras, as cóleras, e ele mordia, a bala quase explodindo saltitante de sua boca comprimida, quase explodindo os dentes para matar de vez aquele hipócrita silenciar de pensamentoS

.era mais um dia sozinho, e era mais uma raiva engolida, digerida, recolocada, recalcada, recalcada como todos os não dizeres recalcados daquela salA

.mas ele estava aprendendo a dizer sim, um dia aprenderiA . e ele sabia que era quase o instantE

.não fora desta vez que a palavra saíra da jaula, mas sairiA

.e enfim, ele poderia seR

.independente daquelas pessoas, um dia ele seriA

Posted by ||Nat at 04:57:49 | Permalink | Comments (2)

Monday, March 19, 2007

Ponto Ação

:

é sempre melhor que

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Thursday, March 15, 2007

V E M   V E N T A R    N O   M E U   C A B E L O

 

QUE EU VARIO POSIÇÕES

 

D E S V A I R A D A M E N T E

 

REINVENTO MINHA ALTEZA

A O   R E I   E X I G E N T E          .

A MINHA BAIXEZA DÔO AOS NECESSITADOS.

 

NOS MEUS PORÕES BRINCAM PEDRINHAS

 

Q U E   B R I L H A M   S O Z I N H A S

À NOITE.

 

D E   D I A   D O R M E M. 

 

 

 

 

Posted by ||Nat at 21:31:39 | Permalink | Comments (1) »

Saturday, March 10, 2007

Cansada. Alguém me explica por que eu me sinto tão cansada de todas as coisas de que se possa um dia falar? Por que eu me sinto em exaustão e sem forças para continuar algo que ainda nem sei se comecei? Me sinto cansada de mim. Eu que quero mudar o mundo, posso me apontar no espelho e fazer mil xingamentos desordenados e verdadeiros. Eu hipocrisio o tempo todo, eu aponto, aponto, aponto e o lápis das verdades alheias ficam tão finos e cortantes que acabam por me espetar. Eu falo da merda dos outros e nem sei o cheiro da minha. Quero a feminilidade dos homens, mas nem sei o que é e nem onde começa a masculinidade deles. Por que tenho que ser tão egoísta? É que raras pessoas no mundo falam a minha língua. Mentira. Raras não devem ser, mas meu campo de conhecimento é muito pequeno, então, a errada sou eu por prejulgar o mundo e prejulgar-me entendida. Eu não sei de nada. Natacha, você não sabe de nada. Você sabe muito pouco. E eu digo a mim mesma, como uma mãe brava latindo como um cão perigoso: sente-se e fique no teu canto, teu palpite é inútil, você não sabe fazer isto. Eu sei: eu não sei de nada: nada que me interessaria, não tenho profundezas, profundidades. Menininha teórica de vinte e um anos que age como se fosse uma mãe, mulher casada, profissional bem sucedida, vá para o teu canto. Você não sabe nem como mostrar aos outros o que gosta! Perde a paciência diante do mínimo de desconforto. Se irrita com a menor discordância. Até com o corretor automático de texto do word que diz que não se inicia uma frase com um pronome reflexivo se incomoda, porque sabe que o povo brasileiro nunca usa a ênclise, pelo menos sua maioria. Estou cansada. Só isso. Quero tirar esse peso de minhas costas, esse peso que não sei de onde vem. É um peso que se aloja e me põe sono, me põe na cama, me faz comer chocolates, me faz ficar com algumas espinhas no rosto, me faz desistir. Quero tirar esse peso do corpo e continuar, porque acredito que posso. Só preciso de força. Força interior.
Posted by ||Nat at 01:20:40 | Permalink | Comments (3)

Thursday, March 8, 2007

Ambíguo 

.


tem um bigo?
Não,
tenho
Dois bicos.

[Bigâmicos                                    {cor de rosa                                           (pequenos

    e                                                              de                                                       e

Bissexuais]                                     pele pelada}                                            bonitos)

 

 

Umbigo é um big ego.

Big ego.

 

Eco:

 

egoegoegoegoegoegoegoego

 
                                                                                        
Posted by ||Nat at 14:29:49 | Permalink | No Comments »

Wednesday, March 7, 2007

Eu vejo um caminho certo:
 
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
  Nada.
    Nada.
       Nada.
          Nada
             Nada.
                Nada:
          Nada, Nada,
       Nada,     Nada,
    Nada,          Nada,
 Nada,               Nada,
 Nada,                 Nada,
 Nada,                   Nada,
 Nada,                   Nada,                
 Nada,                   Nada,
                           :
Nada muda, todo caminho acaba na mesma estrada.
 
 
 
 
 
 
                                                             .
 
 
 
 
Fragmento desconcertado de um pré sonho em estado febril de uma tarde ensolarada de uma quarta-feira:
A menos que os homens queiram trepar com outros homens, terão que aprender a fazê-lo direitinho como manda o figurino feminino.
A menos que elas queiram trepar com outras mulheres.
Posted by ||Nat at 23:04:22 | Permalink | Comments (1) »

Falo, pinto, pênis. Eros. HUM?

Falar é profanar.
Falo profano.
Ah, se falo! Ai, que falo.
Que falo hein, seu moço!
Se não falo fico fula:
Escrever é profissão de prostituta.
Vender palavras nuazinhas prontas para serem comidas sem a menor culpa por olhos de realização da era fast-food.
Fast-fudeu.
Redigir é erotizar a idéia. Torná-la à mostra, na vista.

Escancaradamente.

É sim, e não me venha com papo furado.
Que meu saco tá furado, não vai aguentar teu papo mole.
Aliás, de mole, meu velho, já basta o velho.

Deixa a palavrinha tocar a borda do consiente pela boca, pelas mãos.
Não é erótico?
Todo o toque tem troca humana.
Toda trocaé erótica. E não me venha pornografar o erótico.
Ai que cabecinha de anu!

Não gosto do que não gosto. Não gosto do que desgostei, não gosto de ter desgostado do que gostava e não acho boa a idéia de gostar do desagradável.

Não gosto.
E cuspo no meu próprio gosto, porque eu não quero de maneira nenhuma sê-lo ao invés de tê-lo.

E tenho dito.

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Thursday, March 1, 2007

Escrevi. Apaguei. eu ia falar sobre amor. eu ia falar sobre a morte. eu ia falar sobre como amortecer uma queda livre! Quer dar sua opinião? aqui ó: ( )-espaço pra você escrevi de novo sem pontuar eu estou é de saco cheio dessas bolinhas que chamam de ponto final afinal que história chega ao fim me diz? escrevi e apaguei de novo letra maiúscula pra quê? Bobos da corte existem para que façam rir os reis. Pontuação existe para que façam pausas os humanos nas suas escrituras. Reis existem pra quê? Hoje em dia, só para ser rei. Porque não mandam é nada! Ah escravozinhos de coisas tão pequeninas, você assistiu ao último lançamento de holywood ou aquele filme alternativo de gente cult que tem cara de cu, óculos quadradinhos e ar inteletualóide? Nem vem, o buraco é mais embaixo. Desceu mais é o cu. Molhado e esmerdeado. Ah, se não lava é fedido. Camisinha nele!!! Aaaaaaaaaaaah, letra maiúscula é vício de linguagem! Não era mas agora é. Acento também é vício. Vício de jornalista, de escritores, redatores e superficiais da língua portuguesa. A LÍNGUA NÃO É SÓ GRAMÁTICA, SACO! Sai daí, vai criar alguma confusão na vida real. Acentue sua mente antes de criticar o vocabulário alheio tá? Porque eu tô com os axés, oooooxe se tôô! Eu tô com a compRicação, com a Avoação, eu tô com todo mundo, meu nêgo. Sai pra lá com esse preconceito, vá. Vá de retro!
Posted by ||Nat at 23:52:26 | Permalink | Comments (1) »