Thursday, December 28, 2006

Me dou

Medo?
De estar errada,                          De não ser entendida,                    De fazer cagada.
 
 
Medo!
 
 
De não ser amada,
                         De ser mal resolvida,
                                                     De ser enganada.
 
 
Medo…
De não enxergar
 
De não conseguir
 
De não mais voltar…
 
 
Medo:
De não amar
De não prosperar
De não frutificar.
Medo do medo.
Do sebo.
          Do belo.
                     Do sapo.
                               Do pato.
                  Do mato.
Do meio-termo.
 
 
 
Medo.
Medo do eterno.
 
Do interno.
 
Do inverno.
 
Do inferno.
Medo
 
 
Do efêmero
Da fêmea
Do eufemismo das pessoas.
 
 
Medo.
Me dá um pouco de coragem?
 
 
Me dá? Medo.
 
 
 
Medo me dá medo.
Me dou medo, muda.
Me dou, muda. 
Muda, ou eu mudo.
Porque eu tenho medo.
Porque eu tenho medo do mundo.
Posted by ||Nat at 19:56:22 | Permalink | Comments (1) »

Monday, December 18, 2006

Te esperar?

Não, não! Prefiro temperar!

Temperar outros pratos, me desculpe, você não é o principal.

Tempero com pêra e sal.

E vou degustando o sabor de novidade da vida.

Eu adoro as novidades loucas da vida.

Como-as como manga, melecando a boca

manchando as mangas da sua blusa branca que esqueceu em casa.

Eu adoro melecar, molecar.

E vou fazendo isso aos pulos, de homem em homem,

feito uma gazelinha que tenta se encontrar num campo cheio de mato pra comer,

como ela, eu não sei por qual arbustro começar.

Mas eu estou temperando, e não te espero,

que eu encontrei um homem que jamais me tocou embaixo da cintura

homem, que homem, que delícia de candura!

Que perdure esta gostosura entre nós dois, homem e mulher.

Porque se um dia ele me tocar, vou comê-lo de colher, garfo, faca, com as mãos, sem as mãos.

Enfim.

Que perdure esta candura, porque os meus antigos pratos nunca me respeitaram!

Foram pratos porcos!

E eu já cuspi neles, hoje tenho compaixão…

porque sou vegetariana.

E adoro meu arbustrinho verde, que ainda não amadureceu, adoro comê-lo com os beijos adocicados de mato verde, adoro olhá-lo nos olhos e ficar apenas nessa deliciosa pureza.

Que dure, antes de a pureza mole ficar dura!

Que dure a inocência antes da perdição!

Que dure, antes que endureça, na minha mão.

 

 

 

Posted by ||Nat at 16:39:05 | Permalink | Comments (2)

Friday, December 15, 2006

Eu gosto de vagar

(vagabunda minha mãe fala

mas aqui na bunda não tem vaga não - não pra qualquer um!).

Eu gosto devagar, devagarinho

pra nunca acabar de vagar.

Eu gosto

de vagar,

divagar devagar.

Divagar entre coisas e coisas lentas.

Eu gosto de amor quando não é vago

eu vagueio dentro do ar.

Eu vagueio de vagar e devagar.

Vagar nove, vagar dez, dez vagar.

Vadia das palavras,

menina vadia das palavras

palavras que ecoam devagar.

Eu sou uma vadia das palavras.

Vagabunda’é’o'ar que só vagueia sem rumo.

 

 

Eu só gosto devagar e molhado.

Que é pra escorregar.

Não vem socar a seco o seu vagal em mim

‘que eu não vou gostar!

 

 

Porque eu gosto devagar!

Posted by ||Nat at 21:14:39 | Permalink | Comments (4)

Friday, December 8, 2006

   F ragmentos 

U   Ú

K       T

I          E

N             I

G               S

 

A eternidade é cravada em meus olhos, mas o tempo ata as minhas mãos.

Isso torna a liberdade cruel.

 

Quando eu passo na esquina, ninguém quebra o pescoço dizendo: nossa, que moça inteligente e sensível! Mas também ninguém se envolve comigo por um longo tempo pela minha bunda!

 

Certas coisas me aliviam, enquanto que outras me sufocam.

Eu sei ser supercifial também.

Posted by ||Nat at 18:28:23 | Permalink | Comments (5)

Monday, December 4, 2006

Silêncio à beça

Nossas conversas

às avessas.

 

                            

 

                             Meus planos

                             nunca são planos.

                             São côncavos

                             e convexos.

                             Eles não têm

                             nexo nenhum,

                             porque são meus

                             e ainda assim sempre incluem os outros.

                             Não. Eles não são planos.

 

 

Por que é tão intenso

é tão imenso

é tão denso?

Tão incomensurável

e tão intragável?

Por que tem cheiro de incenso que acabou?

Por que ainda cheira depois do fim?

Por que o cheiro, até quando não cheira mais

cheira dentro da gente, sempre, sempre?

O cheiro permanece.

Que adoeça esse cheiro de dentro de mim!

Que apodreça porque não quero mais senti-lo!

Que se desfaça essa fumaça, que suma, que alguém fume

esse estrume mal cheiroso, e que a minha bunda seja uma piteira!

Que como se fosse um peido

saia esse cheiro de saudade de dentro de mim.

E que com o fedô das coisas que eu carrEGO aqui dentro,

você nunca mais se aproxima.

E que eu só seja fedida para você, porque ainda assim

quero um amor, um outro amor pra mim.

 

Posted by ||Nat at 17:02:48 | Permalink | Comments (3)