Tuesday, October 31, 2006
Tuesday, October 24, 2006
Prata velha a Deus
Wednesday, October 18, 2006
À Dorothi
Tuesday, October 17, 2006
Eletrik
Você quer um choque meu?
Você quer um toque meu?
Toque toque toquerendo dar choque
Tô que tô que toquerendo dar choque
Achoque achoque choque é bom
dependendo do choque faz xókxók
Queixo queixo bate-queixo choque toque
tô chocada!
toque, corre, toc toc
abre e toque, xókxók, xók choque!
Não se choque, que meu toque dá choque!
Monday, October 16, 2006
Friday, October 13, 2006
Eu
Sujeito indeterminado.
Artigo indefinido
Objeto direto e indireto.
Verbo intransitivo.
Locução adverbial de atemporalidade.
Regência. Coesão.
Narcisiologia reflexiva, de novo.
Vocativo.
Aposto.
Aposto contigo que você ainda não sabe quem eu sou!
Sujeito oculto? Será que oração sem sujeito?
Mas como falar com Deus se não há sujeito pra falar?
Aí é que se fala mais com ele.
No ego. Yes eco.
Sexo, sexo, sexo.
Sexo pulsando e prazer.
Sexo sem sexo. Assexuado por um tempo.
Sexo com sede de sexo.
Ai que vontade(s).
Sujeitinha mais indeterminante!
Wednesday, October 11, 2006
Gaveta dos Sonhos
Guardo nelas minhas fofuras, minhas loucuras, minhas sandices.
Dentro dela, nada de mesmice.
Ela tem cor verde desbotada, mais parece mofo.
Não conte a ninguém, mas guardo pessoas dentro dela.
Algumas estão mortas, putrefação pura.
Algumas vivem como se fossem dentro de caixões fechados e abandonados.
Vão morrer também.
Não conte a ninguém que eu sou uma assassina.
Não conte a ninguém o meu esmero com as coisas que guardo na gaveta.
É que depois de guardadas, elas não têm mais valia nenhuma.
Viram fantasia, ida. Viram coisa do passado.
A minha gaveta é tão triste, eu a tranco e não deixo ninguém ver.
Nela, coisas sórdidas, eróticas, familiares, românticas e planos de futuro.
É a gaveta da verdade que poderia ter realmente sido verdadeira, mas não foi.
Gaveta escondida.
Eu não quero levar mais nada nem ninguém pra gaveta.
Não, não me obrigue a guardar mais coisas na gaveta.
É triste ter que guardar coisas importantes na gaveta dos sonhos irrealizáveis.
Muito triste.
Wednesday, October 4, 2006
Drawn, Gu(R)ia
Desenha uma borboleta nas minhas costas, mulher? Eu te acho linda e cheia de personalidade, o teu desenho de borboleta deve ser bonito.
Será que a tua borboleta é delicada quando tem as asas abertas?
Será que se ela pousar sobre minha flor, meu pólen será levado a outros lugares?
Eu não sei desenhar borboletas… Mas a feminilidade delas me atraem. Pergunto-me então:
- Como é o bater de suas asas?
- Quão alto é o seu vôo?
Desenha uma borboleta no meu seio esquerdo, em cima do meu coração. Deixe-me acariciar a tua borboleta desenhada? Meus dedos são delicados e frágeis, prometo não machucá-la.
Eu geralmente tenho nojo de insetos, mas a tua borboleta de alguma maneira me fascina. Deixe que ela pouse sobre meus lábios, deixe que ela sugue o néctar que a ofereço.
Eu não quero prendê-la, nem espetá-la num mural. Deixe-me aprender com você a coragem do vôo livre da borboleta?…
Tuesday, October 3, 2006
Maternizar
Acho que nasci para gerar.
Quando eu tinha três, quatro, cinco anos, minha mãe me colocava pra dormir, me dava um beijo e falava pra eu rezar. O meu pai me dava um beijo, e me dizia assim: Eu te amo, eu te adoro, eu gosto muito de vooooocê.
Eu rezava, pedindo pro papai do céu deixar o mal do portão pra fora da minha casa. Aquele portãozinho baixo, preto, com a tinta descascando, que deixava à mostra o azul antigo do portão.
Depois de rezar, colocava o travesseiro na minha barriga e fingia que estava grávida. Dormia grávida. Nem sabia como eram feitos os filhos, e já dormia grávida da idéia de estar grávida.
Acordava e durante o dia brincava de boneca, mas também as esquecia na cama quando ia brincar com as minhas primas.
Fui crescendo, e todos os dias pensava em ter filhos.
Quando me dei conta, já não era mais virgem, tinha dezesseis anos e um namorado. Quando me dei conta, meus pais estavam separados, minha vida estava uma bagunça, e o (ex) amor da minha vida me dizia que eu era a pessoa mais importante da vida dele.
Uma vez ele perguntou se ele era a pessoa mais importante da minha vida. Pedi desculpas e disse um tímido não.
“A pessoa mais importante da minha vida é o meu filho”.
Ele não compreendeu a minha resposta, e eu também não poderia cobrar isso dele. Nossos pontos de vista sempre foram diferentes. Por isso tudo terminou tão tragicamente, drasticamente, a ponto de nos machucarmos bastante.
Porém, tudo superado, enfim.
Eu era uma adolescente com um diário debaixo do braço. Um diário cujo texto em primeira pessoa tinha sempre uma dedicatória: aquele que saísse do meu ventre.
Agora eu estou aqui. Agora? Aqui? Minhas idéias são um pouco mais transcendentes. Mas o desejo parece ser inato, o desejo de ser mãe, a vontade de gerar, de educar, de criar, de amar, de brincar e criar vínculos, de ser uma família, de conhecer o pai daquele filho que tanto espero. De saber que os desejos e as vontades entre mim e o pai são semelhantes, de gerar um filho para a liberdade de ser quem ele quiser.
Amamentar e não aprisionar.
Entender.
Fazer parte do processo de aquisição de linguagem, de interpretação dos sentimentos. Fazer parte, fazendo arte.
Eu digo isso com lágrimas nos olhos e com o coração pulsando, pulando, puxando o desejo de algum lugar maior que ele mesmo.
Deméter, materniza.
Seguro a mão das crianças que passam, sem mesmo tocá-las.
Elas seguram o meu espírito.
O meu espírito só se tornará seguro e completo no dia do nascimento do meu filho.
Se eu não puder ter filhos? Sentir os nove meses, ali, perispíritos sobrepostos, justapostos, vou ter de aprender a lidar. Eu adoto.
Preciso estar preparada. Preciso ser minha própria mãe.
Quero gerar uma poesia concreta e personificá-la.