Thursday, September 28, 2006

Arte

Eu não des

a

credito

gosto

acre do que

não foi dito

Arcredito.

Posted by ||Nat at 16:00:22 | Permalink | Comments (4)

Tuesday, September 26, 2006

Valente

Valham-me as palavras
os momentos
os sorrisos.
Valham-me as lágrimas
os impasses
improvisos.
Valha-me toda a dor
e toda a alegria.
Valha-me o bom humor
e a antipatia.
Valham-me as minhas poesias antigas
e infantis,
os meus amores antigos
e infiéis,
os meus amigos trágicos
e inseparáveis.
Valha-me toda e qualquer pessoa
que colocar na minha frente um
espelho.
 
- Valha-me muito mais isto que um
conselho.
 
Valha-me muito mais isto que um carinho inútil,
mas valham-me também os carinhos
úteis e de bom grado,
os caminhos lado a lado
de mãos dadas e conversas
inacabadas.
Que haja valia em toda essa
correria diária
que insatisfaz.
 
Que haja paz.
 
Que haja confete no carnaval
e lembranças .
 
 
Haja, por Deus, um filho a dar a mão,
um avô de bigodes,
uma avó de óculos,
um tio meio doido.
 
Valham-me todos os meus sonhos
porque acredito neles.
-em que mais posso crer?
 
Valha-me a minha arte
a minha inércia,
o meu vento, que me sopra onde quer.
Valha-me eu ser da vida, e ela, minha.
E se nada ainda me valer,
 
que haja um filho para me dar a mão.
Posted by ||Nat at 17:10:52 | Permalink | Comments (2)

Saturday, September 16, 2006

O meu amor - Parte I - poema eternamente inacabado

O meu amor tem um andar que transpassa qualquer espaço entre nós.
Ele tem um olhar de cantiga infantil.
Tem um sono leve e um peito grave e desnudo sob a minha face.
O beijo do meu amor
é de beijar o meu beijo, e não a minha boca.
Mas quando me beija a boca, que louca eu fico, gemendo rouca.
Meu amor possui dedos de detalhes, que não podem ser estalados por motivos lindos.
Ele tem mania de causar-me alegria (sem saber do vício que é para mim um dom).
É dono de um calor bemol, de um riso sustenido, de uma harmonia estrondosamente silenciante.
Ele tem o gosto indizível da saudade. Chega e parte, mesmo assim, fica. Ao invés de passar, pacifica.
A pose dele é juvenil, e ter uma filha faz parte, se não dos seus planos, dos seus sonhos, que se confundem com os meus.
O meu amor é tão meu AMOR, que tenho medo de possuí-lo e chamá-lo de pronome possessivo da primeira pessoa do singular.
(Não o possuo para mim, sim para ele. Sendo ele o que ele quer, torna-ne o que mais espero dele).
Ele é tanta coisa que ainda não sei, será tanta coisa que jamais foi, e foi tanta coisa que nem sei existir, e não me incomodo com isso.
Guardo comigo também minhas mudanças, efeito da grande busca por algo que ainda não sei o quê.
Ele não é perfeito. E como eu o amo ainda mais por isso.
Quando ele me beija com a boca de cigarro, sei que sou capaz de tanto para sentir a paz de ser dele.
Toca-me como ninguém:
eu-teclado, eu-bateria, eu-mulher.
Ele causa-me sonhos.
Devaneios
Distrações.
Calça meus sonhos com sapatos sem tamanho, pois meus sonhos são além.
Repito então, para terminar a primeira parte, o mantra:
Amoooo

 


Amoooo

 

Amoooo

 

to be continued (one day)

Posted by ||Nat at 02:11:03 | Permalink | Comments (6)

Wednesday, September 13, 2006

PB

 

 

Desci as

e

 s

  c

   a

    d

     a

      s

em preto e branco das palavras.

 

o silêncio é

 

c  o  ri  d  o.

Posted by ||Nat at 19:33:20 | Permalink | Comments (3)

Tuesday, September 12, 2006

Dia cinza

Agora que eu já fiquei presa dentro do apartamento

Pois levaram as chaves embora

Agora que eu já escutei Björk

E toda sua música e poesia triste

Agora que o chão parece ter caído sob meus pés

E que as minhas contas estão no vermelho

Agora que eu não tenho mais

O antigo contato com o espelho

Agora pode rir da menina que fala demais.

Pode ignorar qualquer palavra boba que lhe venha da cabeça

Porque essa melancolia é chata demais para ser compartilhada

Ela deve ser rida, e ignorada

Como todas as chatices do mundo.

Como todas as meninas fúteis.

Como todas as mulheres pudicas.


 

Todos sabem que eu não sou, de fato, assim.

E quem  me sabe o bastante, sabe que quando de fato me torno isso

Peso mais que o peso da gravidade

Fico grávida de tristeza

E os minutos vão-se, escorregadios, entre meus devaneios.

E o tempo não passa. Eu passo, mas ele não.

 

Como sei que o que realmente importa não vai acontecer

-e se acontecer será em alguns dias, ou semanas, talvez-

Passo a vergonha e espero que alguém me leia.

Alguém que não faz a diferença.

Posted by ||Nat at 14:14:42 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, September 5, 2006

Dúvida - eu reflexivo.

Olho no espelho, meu reflexo.

Quem sou eu?

Estou presa aqui entre esse vidro e esse aço.

Eu sou quem vê ou quem é olhada?

Passiva ou ativa nessa situação?

Acho que eu apenas imito a garota que me olha.

Se fita a minha boca, não a olho nos olhos, tenho de formar um ângulo perfeito.

Olho no espelho. Meu reflexo?

Que reflexo, o quê. Eu sou o reflexo dela.

O erre retroflexo. O erro desconexo.

Sou imitação.

Estou presa no vidro, me tirem daqui!

A única maneira de interagir é quando ela vira narcisa.

Obrigada, vaidade.

És minha amiga eterna.

 

Posted by ||Nat at 02:52:43 | Permalink | Comments (2)