Arte
Eu não des
a
credito
gosto
acre do que
não foi dito
Arcredito.
Eu não des
a
credito
gosto
acre do que
não foi dito
Arcredito.
O meu amor tem um andar que transpassa qualquer espaço entre nós.
Ele tem um olhar de cantiga infantil.
Tem um sono leve e um peito grave e desnudo sob a minha face.
O beijo do meu amor é de beijar o meu beijo, e não a minha boca.
Mas quando me beija a boca, que louca eu fico, gemendo rouca.
Meu amor possui dedos de detalhes, que não podem ser estalados por motivos lindos.
Ele tem mania de causar-me alegria (sem saber do vício que é para mim um dom).
É dono de um calor bemol, de um riso sustenido, de uma harmonia estrondosamente silenciante.
Ele tem o gosto indizível da saudade. Chega e parte, mesmo assim, fica. Ao invés de passar, pacifica.
A pose dele é juvenil, e ter uma filha faz parte, se não dos seus planos, dos seus sonhos, que se confundem com os meus.
O meu amor é tão meu AMOR, que tenho medo de possuí-lo e chamá-lo de pronome possessivo da primeira pessoa do singular.
(Não o possuo para mim, sim para ele. Sendo ele o que ele quer, torna-ne o que mais espero dele).
Ele é tanta coisa que ainda não sei, será tanta coisa que jamais foi, e foi tanta coisa que nem sei existir, e não me incomodo com isso.
Guardo comigo também minhas mudanças, efeito da grande busca por algo que ainda não sei o quê.
Ele não é perfeito. E como eu o amo ainda mais por isso.
Quando ele me beija com a boca de cigarro, sei que sou capaz de tanto para sentir a paz de ser dele.
Toca-me como ninguém:
eu-teclado, eu-bateria, eu-mulher.
Ele causa-me sonhos.
Devaneios
Distrações.
Calça meus sonhos com sapatos sem tamanho, pois meus sonhos são além.
Repito então, para terminar a primeira parte, o mantra:
Amoooo
Amoooo
Amoooo
to be continued (one day)
PB
Desci as
e
s
c
a
d
a
s
em preto e branco das palavras.
Só
o silêncio é
c o l o ri d o.
Agora que eu já fiquei presa dentro do apartamento
Pois levaram as chaves embora
Agora que eu já escutei Björk
E toda sua música e poesia triste
Agora que o chão parece ter caído sob meus pés
E que as minhas contas estão no vermelho
Agora que eu não tenho mais
O antigo contato com o espelho
Agora pode rir da menina que fala demais.
Pode ignorar qualquer palavra boba que lhe venha da cabeça
Porque essa melancolia é chata demais para ser compartilhada
Ela deve ser rida, e ignorada
Como todas as chatices do mundo.
Como todas as meninas fúteis.
Como todas as mulheres pudicas.
Todos sabem que eu não sou, de fato, assim.
E quem me sabe o bastante, sabe que quando de fato me torno isso
Peso mais que o peso da gravidade
Fico grávida de tristeza
E os minutos vão-se, escorregadios, entre meus devaneios.
E o tempo não passa. Eu passo, mas ele não.
Como sei que o que realmente importa não vai acontecer
-e se acontecer será em alguns dias, ou semanas, talvez-
Passo a vergonha e espero que alguém me leia.
Alguém que não faz a diferença.
Olho no espelho, meu reflexo.
Quem sou eu?
Estou presa aqui entre esse vidro e esse aço.
Eu sou quem vê ou quem é olhada?
Passiva ou ativa nessa situação?
Acho que eu apenas imito a garota que me olha.
Se fita a minha boca, não a olho nos olhos, tenho de formar um ângulo perfeito.
Olho no espelho. Meu reflexo?
Que reflexo, o quê. Eu sou o reflexo dela.
O erre retroflexo. O erro desconexo.
Sou imitação.
Estou presa no vidro, me tirem daqui!
A única maneira de interagir é quando ela vira narcisa.
Obrigada, vaidade.
És minha amiga eterna.