Wednesday, May 31, 2006

Cinco sentidos, infinitos modos de sentir

Da vida me expresso assim:

com palavras, tortas, colocadas minuciosamente lado a lado.

A estrutura da língua a meu favor

(ou não)

Sempre há um que não goste, ou até mesmo que não entenda…

Eu sou poeta, artista articulada,

de linguagem escrita ou dita (ditada nunca).

Ando então no meio da rua e penso ser fotógrafa,

Cantora, atriz, pintora, escultura.

Todos meios de expressão.

Repara que a maneira com que eu coloco as palavras,

a minha sintaxe, é como se fosse o contorno de uma escultura…

Como o momento e o ângulo do click da foto, 

… o acabamento de uma pintura

… as notas harmônicas emanadas das pregas vocais

de uma cantora emocionadíssima.

Toda arte é igual, o que as difere são os sentidos.

 Basta sentir, não precisa fazer sentido!

Posted by ||Nat at 23:18:29 | Permalink | Comments (3)

Tuesday, May 23, 2006

Fuga

Lábios mordidos
Não penso em nada
a não ser na luxúria de ser como sou
A noite vem vendada
De mãos amarradas
e eu tenho medo de tocá-la.
Vendo o meu trêmulo sorrido
ao vadio que passa falando sozinho
minhas mão roxas de frio
meu suor escorrendo
faz arder meus olhos
Estou pálida e nítida
No espelho faço caras e bocas e poses
Subtraio os gemidos pra mim mesma
O gozo vem frenético
entre toques e retoques
Distorcida a minha imagem
arrepio se me vejo
No disfoque, no molejo,
adormeço.
Vou na manha, amanhecida
De manhã, estarrecida
Nua, na minha cama
Rio da minha fama
E da noite que me amedrontava
Nessa eu monto e saio a galope
Vou-me embora viver meu dia…
Porque quando a noite vem, eu simplesmente
esqueço.
Posted by ||Nat at 22:04:17 | Permalink | Comments (4)

Qual a dúvida que se esconde

nas marés de minha inconsciência?

Os amores, tives muitos…

Tive poucos, os veros…

Inconstantes e verossíveis, infinitos.

Onde é que se esconde

o meu júbilo fatal

onde regojizo-me com a naturalidade

e não sofro com a fatalidade?

Os ódios?

Esses posso contar nos dedos.

Os medos não.

As culpas,

tristezas,

dúvidas… essas não são numeráveis.

São apenas coisas que fui sentindo

e sentindo e sentindo e sentindo

e afinal, sem algum sentido

(ou sem sentido algum)

parei aqui onde estou,

no agora que me encontro.

Muita felicidade,

muito assombro prum mundo artificial…

Eu sou um artifício,

sou arte

sou artefato

sou fato

sou mito…

Sou essa pequena

branquela

serena

sou essa ninfeta

arrojada

que deseja o desejado.

Sou isso que vê e mais

mais, muito mais do que não pode ver.

Sou essa egocêntrica que sabe só falar de si

dizer de si…

Nada sabe dos outros senão aquilo que sabe sobre si.

Centro, ego…

egoísta

antropocentrista…

Sou amiga do Théo,

o lado masculino que há em mim…

Fé!

Muita fé!

…Paz…

Posted by ||Nat at 01:11:00 | Permalink | No Comments »

Friday, May 19, 2006

Quando

Quando duas pessoas se olham

se enlaçam, se encaixam,

se amassam, se amam…

…mas se cansam…

…cantam uma lenta canção de sofreguidão.

Quando fica em um o olhar perdido

e em outro a dura olhada.

Quando um segue firme pro horizonte

e pro outro nem sobra estrada,

as lágrimas brincam malabares

na face da ex-amada.

Quando a alma se endurece

e a vingança se faz querida

Quando o coração adoece

de uma dor enlouquecida

Eis que corre o pranto

numa só estremecida…

Quando apagam-se as luzes vermelhas

e as azuis se fazem sentidas,

É que o coração secou

as últimas lágrimas sofridas

de um tempo que já passou.

Momentos pra sempre guardados

Lembranças jamais esquecidas

Sentimentos vazados…

fugidos…

transformados em vácuo

tornam-se enfim (re)preenchidos

mata-se sim, o amor…

Mas imortal que é, renasce…assim como o pôr-do-Sol

Enche-se o peito de esperança,

Olha-se com puro olhar

e sorriso de criança

encontram-se outras pessoas pela vida afora

E se deixa ser novamente amada, embora o contrário se pensasse:

o mundo não acabou, pode-se ser mais feliz

AGORA

Posted by ||Nat at 00:51:40 | Permalink | Comments (2)

Thursday, May 18, 2006

Primeira vez

Eu faria de tudo

Para me espantar com a vida

Não saber das conseqüências

Para sentir a pura coragem

da inocência…

Ser zero, nunca ter sentido,

nem ferido, nem gozado

para apreciar os sentimentos

como se fosse a primeira vez…

…confiar nas pessoas…

jamais me arrepender

(a inocência impede o arrependimento).

Talvez eu sonhe em ser um anjo…

Posted by ||Nat at 23:56:11 | Permalink | Comments (2)

Wednesday, May 17, 2006

Clarão

Eu escolho a vida!            
ao amor, menos ferida.       

Desisto da dor,              
do desejo,                   
do pudor.                    

Sorrio para o natural:      
Quero não,                   
quero sim.                   

Suporto o querer             
Aprendo a entender           
Entendo o aprender.          

Me desfaço de mim,           
abraço o vital,              
coloco-me ao meio:           
entre os opostos             
me encaixo.                  

De laços?                    
Quero apenas os braços:      
Juntos e fortes e calmos… 

Eu escolho não saber!
Ao amor, menos orgulho.

Eu quero o prazer
da dança,
da flauta.

Choro pelo artificial!

Quero ser.

Quero agir.

Quero o suportar,
Prefiro não opinar,
Opto pelo não proferir.

Me encontro assim:
Vitalizando o abraço,
o meio me posiciona
entre o oposto do avesso,
na luz do encontro
de braços
que são como laços:
Calmos e fortes e juntos…

Posted by ||Nat at 00:36:53 | Permalink | Comments (2)

Atrocidades em SP

Dualidade transcendida?

(humanidade estarrecida):

-Gente sã, enlouquecida…

 

Posted by ||Nat at 00:10:13 | Permalink | No Comments »

Saturday, May 13, 2006

Tac Tac Tac

Chegou um e-mail

Tac Tac Tac

Tem mais um scrap

Tac tac tac

Tac Tac Tac

Tac tac tac

 

Se soubessem quanta poesia

há nos ”tac tac tacs”

se soubessem quantas lágrimas

quanto desespero

quanta rebeldia

quanto amor há nos ”tac tac tacs”

tactactactactactactactactactactactactactac

tactactactactactactactactactactactactactac

Posted by ||Nat at 21:41:32 | Permalink | Comments (1) »

Friday, May 12, 2006

Natachar

Não quero pauloleminskiar

Nem Viniciusdemoraesar

Nem Bandeirar

Quero natachar mesmo

Claro, adoro aqueles três acima “citados”

Mas por que não natachar?

Não ter identidade poética:

desapegada!

Ser romântica,

surreal,

mas ser tudo e não ser nada!

Profunda, rasa,

Casta, Profana

NATACHAR

Posted by ||Nat at 23:16:10 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, May 11, 2006

Catarse

Cansei do meu vício

Estou farta de dizer, dizer, dizer,

definir, explicar, pensar.

Farta das palavras,

gestos, expressões, sons…

Ah como estou farta

do vício de ser poeta

reduzir o infinito

dizendo o indizível

Catarse…catarse…catarse…

Esse é o meu remédio.

Posted by ||Nat at 22:14:06 | Permalink | Comments (1) »